A Polícia Federal, em uma ação conjunta coordenada e autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), deflagrou nesta terça-feira (12) a Operação Castratio, com o objetivo de desmantelar um suposto esquema de fraudes licitatórias, peculato e lavagem de dinheiro no estado do Rio de Janeiro. O principal alvo das investigações é o deputado federal Marcelo Queiroz (PP), cujas atividades políticas ligadas à causa animal estão sob suspeita de terem sido utilizadas como fachada para a viabilização de desvios de recursos públicos. Segundo as autoridades, o parlamentar teria aproveitado de sua influência e cargos anteriormente ocupados para favorecer empresas que não possuíam capacidade técnica para a execução de serviços veterinários, mas que foram agraciadas com contratos vultosos.
Conforme os relatórios dos investigadores, o esquema teria se iniciado ainda no período em que Queiroz chefiava a Secretaria de Agricultura e Pecuária (SEAPPA). A Polícia Federal sustenta a tese de que o engajamento do político com o bem-estar animal serviu, primordialmente, como um instrumento de autopromoção para angariar votos e prestígio, enquanto, nos bastidores, ocorria o direcionamento de verbas públicas para a empresa Consuvet Soluções em Saúde Animal. A análise dos dados financeiros revela um crescimento patrimonial expressivo do parlamentar, na ordem de 665% no período, o que levantou alertas imediatos junto aos órgãos de controle e inteligência financeira.
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O ministro do STF, Flávio Dino, responsável pela relatoria do caso, destacou em sua decisão que os contratos firmados com a Consuvet superaram a cifra de R$ 193 milhões entre 2021 e 2023, sendo que a empresa fora constituída com um capital social ínfimo de apenas R$ 20 mil poucos meses antes de ser contratada pelo governo estadual. A investigação aponta que a empresa carecia de estrutura física e registros legais, como o necessário licenciamento junto ao Conselho Regional de Medicina Veterinária, no momento em que as primeiras licitações foram liberadas. O caso ganha contornos de complexidade ao identificar que ex-diretores da própria secretaria figuraram, posteriormente, como sócios da firma beneficiada, recebendo repasses milionários que somaram quase um milhão de reais em curtos intervalos de tempo.
A operação, que cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em diversos municípios do Rio de Janeiro e de São Paulo, também resultou na apreensão do aparelho celular do deputado no Aeroporto Santos Dumont. A Polícia Federal busca agora determinar a extensão da participação de Queiroz no grupo criminoso, analisando se ele atuava como mentor intelectual ou como beneficiário direto do esquema de superfaturamento. Outros nomes, incluindo assessores próximos e familiares, estão sob análise por possíveis tentativas de obstrução de justiça, especificamente sobre o ocultamento de dispositivos eletrônicos contendo evidências da trama. O parlamentar, que já ocupou pastas estaduais de Meio Ambiente e Agricultura antes de assumir sua cadeira na Câmara dos Deputados, ainda não se manifestou detalhadamente sobre o mérito das acusações. A PF segue com as diligências para garantir a recuperação dos valores desviados e a responsabilização dos envolvidos.






