O investimento de mais de R$ 60 milhões realizado pelo banqueiro Daniel Vorcaro na produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro tornou-se alvo de apurações preliminares pela Polícia Federal e pela Receita Federal. Embora o montante não conste originalmente no inquérito principal que investiga o Banco Master, a repercussão pública sobre a origem e o destino dos recursos obrigou os órgãos de controle a instaurar procedimentos para verificar a legalidade da transação e identificar possíveis irregularidades financeiras.
Conforme relatam investigadores, o material colhido no aparelho celular de Vorcaro, que detalha as negociações da obra cinematográfica, não aponta, em um primeiro momento, correlação direta com as fraudes bancárias já apuradas no âmbito do Master. Contudo, a praxe dos órgãos de fiscalização é a abertura de diligências sempre que operações com indícios de evasão fiscal ou movimentações atípicas ganham o espaço público, visando garantir a transparência e a conformidade com as normas tributárias brasileiras.
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A principal suspeita dos técnicos gira em torno do fluxo do capital, que teria partido de um fundo sediado em paraíso fiscal para o fundo Havengate, gerido por um advogado ligado à família do ex-presidente no Texas. Posteriormente, os valores foram repassados à produtora GoUp, responsável pela captação das imagens do filme intitulado "Dark Horse". Esse movimento, caracterizado por especialistas como um "passeio do dinheiro", é o ponto central que levanta dúvidas sobre evasão fiscal e o uso de recursos ilícitos.
Diante do cenário, o vice-líder do governo na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), solicitou formalmente que a Polícia Federal e a Receita investiguem o trânsito dessas verbas. O episódio ganha contornos mais complexos após a Polícia Federal ter rejeitado, na última quarta-feira (21), uma proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro. Sem o acordo de colaboração, o banqueiro deixa de fornecer esclarecimentos oficiais que poderiam elucidar os vínculos com o senador Flávio Bolsonaro e detalhes estratégicos sobre o financiamento da produção cinematográfica que narra a trajetória política do ex-presidente.






