A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (27), a Operação Fogo Amigo II, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada na comercialização ilegal de armas e munições nos estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe. A operação é coordenada pela PF em Juazeiro, no Sertão do São Francisco.
Ao todo, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão, sendo três em Petrolina (PE). As demais ordens judiciais ocorrem nos municípios de Arapiraca (2), Maceió (1), Marechal Deodoro (1), São Cristóvão (1) e Araripina (1).
Cerca de 80 policiais federais participam desta segunda fase da operação, que é um desdobramento da Fogo Amigo I, deflagrada em maio de 2024. A Justiça Federal também determinou o sequestro de bens e o bloqueio de valores de até R$ 10 milhões pertencentes aos investigados.
Além disso, foram impostas medidas cautelares, como a suspensão das atividades econômicas de duas lojas suspeitas de comercializar material bélico de forma irregular, o afastamento cautelar de funções públicas e outras medidas alternativas à prisão.
A ação é realizada de forma integrada com o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público da Bahia (MP-BA), com apoio da Cipe Caatinga, do Batalhão Especializado de Policiamento do Interior (BEPI) de Pernambuco, das Corregedorias das Polícias Militares da Bahia e de Pernambuco, além do Exército Brasileiro.
Segundo a PF, os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, comércio ilegal de armas e munições, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Somadas, as penas podem chegar a até 35 anos de reclusão.
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A Operação Fogo Amigo II aprofunda as investigações iniciadas na primeira fase, que atingiu agentes de segurança pública, empresários, CACs (colecionadores, atiradores e caçadores) e lojas do setor de armamentos em diversos estados.
De acordo com as autoridades, os armamentos desviados eram frequentemente utilizados por quadrilhas especializadas em ataques a carros-fortes e agências bancárias, prática conhecida como “novo cangaço”, caracterizada por ações violentas e coordenadas em cidades do interior.
As investigações apontam que munições e armas foram desviadas para facções criminosas por meio da inserção fraudulenta de dados nos sistemas oficiais de controle e fiscalização. Um sargento da Polícia Militar de Petrolina teria movimentado cerca de R$ 2,1 milhões, entre 2021 e 2023, valor considerado incompatível com seus rendimentos oficiais, segundo o Coaf.
Ainda conforme apurado, o grupo comandado pelo militar chegava a vender aproximadamente 20 armas de fogo por mês. Proprietários de uma loja em Juazeiro (BA) também foram apontados como participantes do esquema. Segundo a PF, vendedores inseriam dados falsos de CRAFs no sistema oficial para simular compras legais, enquanto orientações eram repassadas para driblar a fiscalização do Exército.
As investigações seguem em andamento.






