A Polícia Federal (PF) deflagrou, na última quinta-feira (18), a nona fase da Operação Compliance Zero, uma investigação de grande envergadura que apura a suposta participação de agentes públicos em um esquema bilionário de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça. A operação, que mira as entranhas do sistema financeiro nacional, tem como um de seus pontos centrais as movimentações envolvendo o Banco Master e o Banco Pleno. Entre os nomes de maior repercussão citados nas investigações está o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Congresso, além do banqueiro Augusto Ferreira Lima, proprietário do Banco Pleno.
A situação do Banco Pleno, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em fevereiro deste ano, é reflexo de uma trajetória marcada por instabilidades operacionais crônicas e diversas mudanças de controle societário. O histórico da instituição, que teve origem no antigo Banco Indusval & Partners (BI&P), demonstra as dificuldades enfrentadas pelo setor em converter ativos em liquidez imediata. A sequência de reestruturações e a falha em consolidar novos modelos de negócio digital acabaram por colocar a instituição no radar dos órgãos reguladores, culminando em uma série de disputas judiciais milionárias que envolviam valores superiores a R$ 470 milhões.
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De acordo com o Banco Central, a decisão pela liquidação extrajudicial foi fundamentada na deterioração irreversível da situação econômico-financeira do Banco Pleno. A autoridade monetária destacou que a instituição não apenas falhou em manter a liquidez necessária para honrar seus compromissos imediatos — como saques e resgates de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) —, mas também descumpriu normativas fundamentais que regem a atividade financeira no país. Dados oficiais apontam que, em setembro do ano passado, o banco possuía passivos na ordem de R$ 6,8 bilhões, evidenciando uma dependência perigosa de captação de recursos no mercado.
A investigação da Polícia Federal agora busca esclarecer até que ponto os agentes públicos influenciaram ou foram beneficiados por tais irregularidades estruturais. Enquanto o mercado financeiro observa os desdobramentos da operação, a liquidação do Banco Pleno serve como um alerta para a fragilidade de instituições que operam com margens de segurança reduzidas e dependência excessiva de títulos de renda fixa. A Polícia Federal segue em diligências para reunir provas contra os envolvidos no suposto esquema, prometendo avançar ainda mais na responsabilização dos agentes públicos e privados envolvidos na denúncia.






