A Polícia Civil de Pernambuco revelou, nesta quarta-feira (1º), detalhes cruciais sobre a desarticulação de uma organização criminosa altamente estruturada, voltada ao roubo de cargas de chumbo e à adulteração de veículos no estado. A ação, batizada de Operação Átomo 82, resultou no cumprimento de três mandados de prisão e 17 de busca e apreensão, concentrados em municípios do Grande Recife, Zona da Mata e Agreste pernambucano, abrangendo cidades como Cabo de Santo Agostinho, Jaboatão dos Guararapes, Escada e Belo Jardim. Cerca de 90 policiais civis foram mobilizados para garantir o êxito da operação.
Conforme esclarecido pelo delegado Mamedes Xavier, da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), as investigações tiveram início em 2025, logo após uma empresa de logística reportar a ocorrência de três crimes sequenciais com o mesmo *modus operandi*. A partir das denúncias, a corporação iniciou um trabalho de inteligência que desvelou um esquema sofisticado e perigoso, onde os criminosos agiam armados para abordar caminhões que transportavam chumbo saindo do Porto de Suape. Durante as ações, os motoristas eram rendidos e mantidos em cárcere privado, enquanto a carga era transferida para outros veículos da quadrilha.
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O avanço das investigações apontou uma faceta alarmante do crime: a participação direta de empresários no financiamento e na logística da organização. Segundo o delegado, ao menos dois empresários são investigados por fornecerem estrutura, incluindo veículos de grande porte e suporte financeiro para o sucesso das ações criminosas. Além disso, foram apreendidos durante as buscas armamentos de grosso calibre e dispositivos eletrônicos utilizados para o bloqueio de sinal de rastreadores, equipamentos essenciais para evitar o monitoramento policial e das transportadoras.
Embora a hipótese de envolvimento de funcionários da empresa vítima não tenha sido descartada pela polícia, até o presente momento, os elementos coletados focam principalmente na estrutura externa da quadrilha. O delegado Mamedes Xavier ressaltou que as provas reunidas até agora são robustas e essenciais para a continuidade do inquérito. O material apreendido está sob análise pericial para que novos desdobramentos identifiquem outros possíveis integrantes do grupo criminoso, que vinha causando prejuízos significativos ao setor de transporte de cargas em Pernambuco. A Polícia Civil reforça que o combate a esse tipo de delito segue como prioridade para garantir a segurança nas rodovias e a integridade do patrimônio logístico do estado.






