A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na última segunda-feira (1°), uma operação de busca e apreensão na sede da Prefeitura da capital paulista e em sete endereços associados à empresária Karina Ferreira da Gama. A ação investiga denúncias de fraude em um contrato milionário firmado entre o Poder Executivo municipal e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização presidida pela própria empresária. O contrato, que visava a instalação de cinco mil pontos de rede wi-fi pela cidade, está orçado em R$ 108 milhões e tornou-se alvo de escrutínio rigoroso por parte das autoridades paulistas.
O ponto central das investigações reside no destino dos recursos públicos repassados à entidade. Há suspeitas fundamentadas de que parte do montante destinado ao projeto tecnológico possa ter sido desviada para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, intitulada "Dark Horse". A produtora responsável pela obra, a Go Up, também pertence a Karina Ferreira da Gama, o que levanta questionamentos sobre a possível utilização indireta de dinheiro do contribuinte para a produção cinematográfica ligada ao ex-presidente.
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O caso, que ganhou repercussão nacional, foi detalhado no podcast "O Assunto", sob comando da jornalista Natuza Nery. Em entrevista, os repórteres Rodrigo Rodrigues e Guilherme Balza exploraram a complexa rede de conexões que envolve o caso, citando desde a destinação de emendas parlamentares até a participação do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento da obra. Segundo informações apuradas, Vorcaro teria custeado cerca de 90% do orçamento da produção cinematográfica, situação que é acompanhada de perto pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.
Além da suspeita direta sobre o contrato de wi-fi, a investigação também levanta indícios de que deputados de diversas correntes políticas destinaram verbas parlamentares a entidades vinculadas à mesma produtora, superando a marca de R$ 700 mil. Parlamentares como Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Mário Frias têm sido questionados sobre o uso desses recursos. A Prefeitura de São Paulo ainda não se manifestou formalmente sobre todos os desdobramentos da operação, enquanto as diligências continuam para coletar provas e documentos que possam comprovar o eventual desvio de verbas públicas em prol de interesses privados e ideológicos.






