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Polícia Civil de Pernambuco sob críticas após incluir fotos de deputadas em álbum de suspeitos

Por Redação Arcoverde Agora
Polícia Civil de Pernambuco sob críticas após incluir fotos de deputadas em álbum de suspeitos

A inclusão indevida das fotografias das deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG) em um álbum de suspeitos de crimes, mantido pela Polícia Civil de Pernambuco, desencadeou uma onda de indignação nacional e reacendeu o debate sobre o uso de tecnologias e bancos de dados em investigações criminais. O episódio, que expõe parlamentares a um constrangimento público grave, levanta sérios questionamentos acerca da ética e da precisão técnica empregadas pelos órgãos de segurança pública na montagem de acervos utilizados para reconhecimento fotográfico.

Especialistas e movimentos de direitos humanos apontam que o caso não pode ser encarado como um erro técnico isolado, mas sim como um reflexo de preconceitos estruturais dentro das instituições policiais. A utilização de imagens de figuras públicas notórias, que possuem perfis amplamente conhecidos, em um catálogo destinado à identificação de criminosos sugere uma conduta negligente ou, conforme apontado pela Defensoria Pública, indícios de motivações transfóbicas e racistas na seleção das fotografias que compõem o banco de dados da instituição.

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Este incidente ocorre em um momento delicado, apenas meses após o Ministério da Justiça e Segurança Pública instituir um Protocolo Nacional de Reconhecimento de Pessoas em Procedimentos Criminais. O objetivo da nova norma é justamente mitigar riscos de injustiças judiciais e erros de reconhecimento, determinando diretrizes rígidas para a utilização de fotos. Entre as vedações, destaca-se a proibição de extração indiscriminada de imagens de redes sociais ou fontes abertas sem critérios claros, além da exigência de que os conjuntos de fotos apresentem características físicas semelhantes, evitando o viés de indução que frequentemente acomete testemunhas em delegacias.

Para a advogada criminalista Manuela Abath, a prática de perfilamento racial e de gênero no sistema de justiça criminal é um problema histórico que demanda vigilância constante. O reconhecimento fotográfico, quando realizado sem o rigor exigido pelo novo protocolo, torna-se uma prova frágil e perigosa, capaz de condenar inocentes. A legislação vigente e as novas diretrizes do governo federal visam proteger os direitos fundamentais do cidadão, assegurando que o reconhecimento seja uma ferramenta de justiça e não um instrumento de estigmatização, como parece ter ocorrido no caso envolvendo as parlamentares. A sociedade aguarda agora o posicionamento oficial da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco e as providências para a correção definitiva desses procedimentos.

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