O inquérito conduzido pela Polícia Civil de Pernambuco concluiu que o incêndio que atingiu duas casas de praia pertencentes à família do presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, em março de 2024, foi uma ação criminosa e meticulosamente planejada. As residências, localizadas no loteamento Marinas do Rio Aquirá, na Praia de Toquinho, em Serrambi, litoral sul do estado, foram consumidas pelo fogo de forma coordenada, descartando qualquer hipótese de acidente ou falha estrutural. O relatório final detalha uma operação com focos simultâneos nas propriedades de Rueda e de sua irmã, Maria Emília de Rueda, tesoureira do partido.
A investigação utilizou recursos avançados, incluindo a quebra de sigilos telefônicos e bancários, análise rigorosa de geolocalização por antenas de telefonia e perícias técnicas em aparelhos eletrônicos. O delegado responsável pelo caso, Ney Luiz Rodrigues, formalizou o indiciamento de quatro pessoas: José Pereira Gomes, Maria das Dores dos Santos Maciel, Aluísio Ângelo da Silva e Maria Valéria dos Santos. Embora a polícia tenha estabelecido com clareza a participação direta desse grupo na execução do ato, o inquérito não conseguiu identificar o mentor intelectual ou quem teria ordenado o ataque às propriedades.
📲 Fique por dentro das notícias de Arcoverde!
Agora o Arcoverde Agora também tem um canal oficial no WhatsApp, onde você recebe em primeira mão as principais informações da cidade e do Sertão do Moxotó.
👉 Clique aqui e entre no nosso canal
A dinâmica criminosa revelou uma divisão de tarefas estratégica entre os quatro envolvidos. José Pereira Gomes, vigilante que estava de serviço no momento do crime, é apontado como a peça central na coordenação operacional. Sua esposa, Maria das Dores dos Santos Maciel, teria atuado no suporte logístico e na observação da movimentação local, apresentando contradições em depoimentos sobre sua presença nas proximidades das casas. Já Aluísio Ângelo da Silva, colega de trabalho de José, foi flagrado por antenas de celular na cena do crime, apesar de ter alegado inicialmente estar em outra cidade. A quarta indiciada, Maria Valéria dos Santos, empregada doméstica de confiança, é suspeita de ter facilitado a entrada no imóvel de Maria Emília, visto que o local não apresentava sinais de arrombamento.
A cronologia montada pela perícia indica que o crime ocorreu entre 18h e 19h do dia 11 de março. Imagens de segurança captaram o início das chamas e a fuga de um indivíduo pelos fundos das propriedades. As inconsistências encontradas no histórico de chamadas do telefone funcional utilizado por José Pereira, somadas às movimentações financeiras suspeitas feitas pelo mesmo no dia do ocorrido, reforçaram a convicção policial sobre o planejamento deliberado. O caso segue sob análise do Ministério Público de Pernambuco, enquanto as defesas dos indiciados buscam esclarecer as acusações apresentadas no relatório final que marcou um dos casos de maior repercussão política e policial do ano no estado.






