A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi formalmente acionada para investigar denúncias envolvendo o deputado federal Mario Frias (PL-SP), sob a suspeita da prática de "rachadinha" em seu gabinete na Câmara dos Deputados. O pedido foi protocolado pelo deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), motivado por evidências documentais que apontam para repasses sistemáticos de valores de ex-funcionários para o círculo próximo do parlamentar, incluindo chefes de gabinete e familiares. A denúncia ganha contornos graves ao incluir extratos bancários que sugerem o custeio de despesas privadas do deputado e seus parentes com recursos que deveriam ser destinados exclusivamente à estrutura de assessoria parlamentar.
O cerne das acusações reside no depoimento da ex-secretária parlamentar Gardênia Morais, que trabalhou no gabinete de Frias entre fevereiro de 2023 e maio de 2024. A ex-servidora alega que era obrigada a devolver parte mensal de seus vencimentos, prática caracterizada juridicamente por possíveis crimes de peculato, concussão, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo o relato, a devolução era uma condição estabelecida no início de sua contratação, e os valores eram transferidos via PIX para o então chefe de gabinete, Raphael Azevedo, ou para pessoas de sua rede de contatos. Além disso, há registros de pagamentos diretos a familiares do deputado, como a mãe de Mario Frias e a quitação de faturas de cartões de crédito da esposa do parlamentar.
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A dimensão do caso se expande com a alegação de que a ex-funcionária teria sido instada a contratar empréstimos consignados em seu próprio nome para quitar dívidas de campanha do deputado, fatos que teriam resultado em prejuízos financeiros severos à assessora, que hoje alega estar com o nome negativado nos órgãos de proteção ao crédito. O PSOL também submeteu uma representação ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, pleiteando a apuração de quebra de decoro parlamentar. Simultaneamente, a bancada do PT na Câmara solicitou à PGR uma investigação adicional, focada na destinação de emendas parlamentares para entidades ligadas a produções audiovisuais sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Até o momento, a defesa do deputado Mario Frias tem mantido postura de silêncio quanto ao mérito das acusações. O atual chefe de gabinete, Diego Ramos, informou desconhecer as irregularidades, alegando que sua gestão iniciou-se após o período citado nos comprovantes bancários. Como detentor de foro privilegiado por prerrogativa de função, cabe agora à PGR, sob o comando de Paulo Gonet, analisar a robustez das provas apresentadas para decidir sobre o oferecimento de denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF). A sociedade aguarda os próximos desdobramentos desta investigação que coloca em xeque a ética e a probidade na gestão de verbas públicas parlamentares.






