A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (7), a sexta fase da Operação Unha e Carne, uma ofensiva estratégica contra um vasto esquema de lavagem de dinheiro que utilizava postos de combustíveis como fachada para movimentações financeiras ilícitas. A investigação, que ganhou força após a análise de dados fornecidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), revelou uma estrutura complexa que teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões no Grande Rio, levantando graves suspeitas de envolvimento de agentes políticos e figuras influentes do estado.
Conforme os detalhes apurados pelos investigadores, a rede de postos funcionava como uma "base de compensação", onde valores de origens lícitas e ilícitas eram misturados para dificultar o rastreamento pelas autoridades. Após esse processo de dissimulação, o capital era canalizado para empresas de fachada, garantindo a integração do dinheiro ao sistema financeiro. A operação desta terça-feira cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em diversos municípios fluminenses, incluindo a capital, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende, além do sequestro de bens e a suspensão de atividades econômicas de empresas envolvidas.
📲 Fique por dentro das notícias de Arcoverde!
Agora o Arcoverde Agora também tem um canal oficial no WhatsApp, onde você recebe em primeira mão as principais informações da cidade e do Sertão do Moxotó.
👉 Clique aqui e entre no nosso canal
Entre os alvos de maior relevância desta fase estão o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella, e o ex-secretário estadual de Polícia Civil, Marcus Amim. Investigações preliminares apontam pagamentos direcionados a Amim e a uma consultoria de sua titularidade, que agora compõem o escopo do inquérito policial. Além de figuras políticas, a operação também atingiu o ex-policial militar e miliciano conhecido como Jura, apontado no passado como líder de grupos paramilitares na Baixada Fluminense.
A Justiça Federal determinou, além do cumprimento das buscas, o bloqueio integral de bens dos suspeitos, visando recuperar parte do montante desviado e desmantelar a logística operacional do grupo. A Polícia Federal reitera que as investigações continuam em sigilo para identificar outros possíveis beneficiários do esquema. O caso evidencia a persistência de organizações criminosas em utilizar setores da economia real, como a revenda de combustíveis, para lavar recursos provenientes de crimes graves, reforçando a importância do monitoramento financeiro contínuo realizado pelos órgãos de controle. O desdobramento da Operação Unha e Carne segue como um marco importante no combate à corrupção e ao crime organizado no Rio de Janeiro.






