A Polícia Federal deu início nesta quinta-feira (2) à quinta fase da Operação Unha e Carne, uma ofensiva estratégica contra um vasto esquema de corrupção, contravenção penal e lavagem de dinheiro no estado do Rio de Janeiro. As investigações, que ganham novos contornos, apontam para o envolvimento de figuras de destaque na política fluminense com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. Documentos encontrados pela corporação revelam um sofisticado sistema de controle, onde políticos eram classificados como "clientes" e monitorados detalhadamente em planilhas financeiras apreendidas.
Entre as descobertas mais impactantes do inquérito está a suposta relação entre Adilsinho e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar. Relatórios obtidos indicam que Bacellar, identificado pelo codinome "Barba" nos registros do criminoso, teria recebido quase R$ 4 milhões em espécie. Os pagamentos, realizados em três parcelas distintas ao longo do segundo semestre de 2025, evidenciam a movimentação de vultosas quantias que, segundo os investigadores, seriam fruto de propinas pagas pelo controle da chamada "Máfia do Cigarro".
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A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não se limitou apenas ao âmbito político. Entre os alvos da ação esteve o pastor Márcio Poncio, cuja prisão despertou grande atenção da mídia nacional devido ao seu papel como patriarca de uma influente família de redes sociais. Além das prisões, o magistrado determinou o sequestro de bens e valores que somam cerca de R$ 22 milhões, visando descapitalizar a estrutura criminosa que, no seu auge, chegou a dominar a distribuição de cigarros em quase metade dos municípios do estado do Rio de Janeiro.
A defesa dos envolvidos tem negado sistematicamente as irregularidades apontadas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. Contudo, a robustez das evidências, incluindo listas de políticos encontradas em compartimentos secretos nas residências de Adilsinho, reforça a tese de um esquema estruturado de cooptação institucional. A investigação prossegue agora com a análise detalhada das transações financeiras e a busca por novos desdobramentos que possam elucidar a extensão completa dessa rede que, por anos, operou sob o manto da impunidade, comprometendo a integridade pública e desafiando o rigor das forças de segurança do país.






