Uma situação preocupante tem afetado a rotina acadêmica e científica na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), no Recife. Professores e estudantes de pós-graduação denunciaram sérias falhas estruturais nos prédios que abrigam laboratórios do Departamento de Fitossanidade. O impasse teve início com a transferência forçada de equipes que ocupavam um imóvel interditado pela Defesa Civil devido ao risco iminente de desabamento, sendo realocados para o Centro de Apoio à Pesquisa em Ciências Agrárias (Capeca).
A mudança, que visava garantir a segurança da comunidade acadêmica, transformou-se em um novo foco de instabilidade. O edifício, que permaneceu ocioso por um longo período, apresentou falhas graves após o início do regime de chuvas. Relatos dos pesquisadores apontam infiltrações severas que atingem diretamente bancadas e aparelhos de alta tecnologia, como termocicladores e softwares de análise multiscan, cujos valores de mercado ultrapassam dezenas de milhares de reais. A precariedade das instalações é agravada pela falta de espaços adequados para as atividades laboratoriais, forçando pesquisadores a adaptarem copas e áreas de convivência para o armazenamento de materiais sensíveis e de uso comum.
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Além dos danos materiais, a integridade física dos alunos e servidores tem sido colocada em xeque. Relatos de choques elétricos ocorridos durante a operação de equipamentos em laboratórios com teto comprometido geraram um clima de medo e incerteza. Estudantes descreveram episódios de falhas elétricas mesmo antes das precipitações mais intensas, revelando uma infraestrutura que não oferece as condições mínimas de segurança ocupacional. A utilização de lonas para proteger equipamentos tornou-se uma medida paliativa adotada pelos próprios usuários, que clamam por uma solução definitiva por parte da reitoria.
Em resposta oficial, a administração da UFRPE justificou os episódios alegando que o volume de chuvas excedeu a capacidade de drenagem do prédio e que detritos, como folhagens de eucalipto, obstruíram os sistemas de calhas. A universidade assegurou que equipes de manutenção realizaram os reparos emergenciais necessários e que trabalha na recuperação dos danos. A instituição reiterou o compromisso com a continuidade das pesquisas, embora a comunidade científica ressalte que os prejuízos ao cronograma de trabalhos e à saúde pública no campus ainda demandam uma atenção mais robusta e transparente.






