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Pesquisa aponta que maioria dos brasileiros vê classificação de facções como terroristas pelos EUA como interferência

Por Redação Arcoverde Agora
Pesquisa aponta que maioria dos brasileiros vê classificação de facções como terroristas pelos EUA como interferência

Uma nova pesquisa realizada pelo instituto Ipsos-Ipec, divulgada nesta sexta-feira (26), traz um panorama detalhado sobre a percepção da opinião pública brasileira a respeito da recente decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Segundo o levantamento, a maioria da população enxerga a medida, anunciada pela gestão de Donald Trump, como uma interferência em assuntos internos do Brasil.

Conforme os dados apurados, 54% dos entrevistados concordam total ou parcialmente que a ação americana representa uma intervenção indevida em questões que deveriam ser tratadas exclusivamente pela soberania brasileira. Em contrapartida, 35% dos brasileiros discordam dessa avaliação. O estudo foi conduzido entre os dias 13 e 17 de junho, ouvindo 2.000 pessoas em 130 municípios, com uma margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e um nível de confiança de 95%.

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Um dos pontos de maior apreensão revelados pela pesquisa é a segurança dos moradores de áreas dominadas por facções. Para 56% dos entrevistados, a nova classificação internacional coloca em risco direto a população dessas comunidades. Por outro lado, a desconfiança em relação a uma possível ameaça ao sistema PIX é baixa: 52% dos brasileiros não acreditam que o sistema de pagamento digital sofrerá impactos negativos devido à decisão americana, demonstrando confiança na estabilidade tecnológica brasileira.

A diretora da Ipsos-Ipec, Márcia Cavallari, destaca que o brasileiro mantém uma postura cautelosa. Enquanto existe um temor legítimo sobre os impactos sociais nas periferias e sobre a economia nacional — com 47% dos entrevistados temendo prejuízos econômicos —, a população demonstra maturidade ao distinguir a realidade do crime organizado doméstico da influência externa. O cenário político também é afetado, uma vez que a medida é interpretada como um desafio diplomático ao governo Lula, que se opôs à classificação argumentando riscos à soberania nacional, enquanto a oposição busca capitalizar politicamente sobre a questão, associando o posicionamento do atual governo à conivência com o crime organizado.

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