Após um hiato de 11 anos, o estado de Pernambuco oficializou a retomada do serviço de monitoramento de tubarões por meio da implantação de microchips. A iniciativa, conduzida por pesquisadores do Departamento de Pesca da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), foi consolidada após a assinatura do termo de outorga, com o objetivo principal de compreender o comportamento migratório das espécies e fundamentar políticas públicas mais eficazes de segurança nas praias. O projeto ganha contornos de urgência diante do registro recente de novos incidentes com banhistas na Região Metropolitana do Recife.
Com um investimento de R$ 1,052 milhão destinado a um período de dois anos de pesquisa, a meta é realizar o rastreamento de 60 exemplares de tubarões. A equipe técnica, sob a coordenação do projeto Ecotuba, pretende instalar 15 receptores estrategicamente posicionados em áreas críticas, como as praias de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, e Boa Viagem, no Recife. Segundo o coordenador Paulo Oliveira, a ausência de monitoramento na última década gerou uma lacuna crítica de dados sobre o deslocamento das espécies, essencial para compreender como fatores ambientais, como a maré e a temperatura da água, influenciam a presença desses animais na costa durante o inverno.
📲 Fique por dentro das notícias de Arcoverde!
Agora o Arcoverde Agora também tem um canal oficial no WhatsApp, onde você recebe em primeira mão as principais informações da cidade e do Sertão do Moxotó.
👉 Clique aqui e entre no nosso canal
O procedimento de implantação dos dispositivos, descrito pela bióloga Maria Cecília Porto, é realizado com foco no bem-estar animal. A operação, considerada minimamente invasiva, dura cerca de cinco minutos e consiste na inserção de um microchip de pequenas dimensões, acompanhado por uma marca de identificação externa. Este acompanhamento permitirá mapear horários de maior atividade, rotas preferenciais e a interação das espécies com o ecossistema local.
A expectativa é que as expedições tenham início efetivo a partir do mês de julho. Além da pesquisa científica, o projeto almeja que os dados coletados sirvam de base para ações de educação ambiental e sinalização mais precisa para a população, garantindo que o uso do litoral pernambucano ocorra com informações fundamentadas e riscos minimizados. O monitoramento contínuo é visto como a ferramenta definitiva para que o estado supere as incertezas que rondam a convivência entre humanos e a vida marinha no litoral recifense.






