A eleição de 2026 em Pernambuco corre o risco de começar pelo lugar errado. Em vez de discutir que estado queremos construir na próxima década, o debate já escorrega para o terreno mais pobre da política: acusações, pedidos de impeachment, dossiês reciclados e insinuações morais. Se esse for o tom predominante, a disputa deixará de ser sobre projetos e passará a ser apenas uma competição de apontar o dedo.
Pernambuco só tem a ganhar se a eleição for sobre quem pode se dedicar mais ao estado. Mas será um desastre se tudo se resumir a ataques. Escolher um governador não pode ser apenas evitar o pior currículo — é selecionar o gestor mais capaz para comandar uma máquina pública que movimenta mais de R$ 60 bilhões por ano. O estado já perdeu tempo demais nas últimas duas décadas e não pode se dar ao luxo de repetir esse ambiente.
Gestão
O primeiro requisito continua sendo integridade. Não há margem para relativizar caráter quando se trata de administrar o cofre de um estado pobre. Sim, Pernambuco é um estado pobre — e exatamente por isso precisa de gestores comprometidos, responsáveis e rigorosos com os gastos públicos.
Quem assina contratos bilionários, autoriza licitações e define prioridades orçamentárias precisa ter vida pública acima de qualquer suspeita. E não basta ser honesto; é preciso parecer honesto o tempo inteiro. Cada real mal aplicado pesa mais aqui do que em estados mais ricos. O dinheiro público em Pernambuco é escasso, suado e disputado por hospitais, escolas, estradas e segurança. Não pode ser usado para sustentar projetos pessoais de poder.
Capacidade
Mas governar não é apenas não roubar — é saber investir. O orçamento anual impressiona no papel, mas se dilui rapidamente entre folha de pagamento e despesas obrigatórias. O espaço para políticas estruturantes é limitado.
É justamente aí que se mede a competência. A diferença entre gastar e investir define o sucesso ou o fracasso de uma gestão. Gasto eleitoreiro rende manchete e palanque. Investimento inteligente muda a vida das pessoas ao longo do tempo. A campanha precisa ser sobre quem representa cada um desses estilos.
Discurso
O problema é que o debate público recente tem passado longe dessa discussão básica. Em vez de perguntar quem tem plano para infraestrutura, qualificação profissional, modernização da máquina pública e aumento de eficiência, a pré-campanha começou focada em ataques pessoais.
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Isso empobrece o processo democrático e desvia a atenção do essencial: como fazer mais com pouco, como destravar investimentos e como preparar Pernambuco para competir em um país cada vez mais desigual.
Histórico
Essa lógica não é nova. Pernambuco já viveu momentos em que o governo foi usado como vitrine para projetos nacionais e trampolim para ambições pessoais. O resultado foi um grande passivo deixado para os pernambucanos pagarem.
Priorizaram-se agendas eleitorais, não administrativas. Contraíram-se dívidas, prometeram-se obras grandiosas e adiou-se o ajuste das contas. O boleto sempre voltou depois, na forma de serviços precários e oportunidades perdidas.
Escolha
Se os lados dessa campanha insistirem no caminho dos ataques e abandonarem a comparação de propostas, corremos o risco de passar mais quatro anos com Pernambuco sendo coadjuvante de um espetáculo no qual é o maior investidor, mas o menor beneficiado.
A pergunta central de 2026 é simples e dura: quem consegue fazer mais com um orçamento limitado de R$ 60 bilhões ao ano, sem corrupção, mas também sem desperdício e sem promessas vazias.
Todo o resto é distração.






