O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi entregue pelas autoridades do Paraguai à Polícia Federal (PF) na noite desta sexta-feira (26). Ele havia sido preso na madrugada do mesmo dia no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, ao tentar embarcar em um voo internacional com destino a El Salvador, em uma possível tentativa de fuga.
A entrega ocorreu na Ponte da Amizade, por volta das 20h30, quando agentes paraguaios conduziram Vasques até a fronteira e o colocaram sob custódia da PF. O ex-diretor da PRF chegou encapuzado ao local e foi conduzido por policiais da Polícia Nacional do Paraguai até os agentes brasileiros. Em seguida, já sem o capuz, foi colocado em uma viatura da Polícia Federal.
No Brasil, Silvinei Vasques deverá ser encaminhado ao sistema prisional. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira a prisão preventiva do ex-diretor da PRF. Até então, ele cumpria prisão domiciliar. A transferência para Brasília deve ocorrer até o início da tarde deste sábado (27), segundo apuração do UOL.
Tentativa de fuga e condenação
A Polícia Federal informou que Vasques foi preso em uma possível tentativa de fuga. Em 16 de dezembro, ele foi condenado pelo STF a 24 anos e seis meses de prisão, no julgamento do chamado núcleo 2 da trama golpista, pelos crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Alertas foram emitidos após a PF identificar a perda de sinal do GPS da tornozeleira eletrônica usada por Vasques, na madrugada do dia de Natal. Por volta das 23h do dia 25, uma equipe policial foi até o endereço do ex-diretor, mas ele não foi localizado. Diante disso, Alexandre de Moraes foi comunicado e determinou a prisão preventiva, destacando que a violação das medidas cautelares justificava a conversão em prisão.
As autoridades paraguaias foram acionadas por meio do Comando Tripartite, mecanismo de cooperação policial entre Brasil, Argentina e Paraguai. Em nota, a Polícia Nacional do Paraguai informou que Vasques foi detido com documentos falsificados. Após consulta à Polícia Federal, a identidade do ex-diretor da PRF foi confirmada. A investigação aponta que ele teria saído de Santa Catarina e seguido de carro até Assunção.
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Apesar da condenação, a pena ainda não estava sendo cumprida em regime fechado, pois os prazos para embargos da defesa ainda não haviam sido concluídos.
Outras tentativas de fuga
Silvinei Vasques é o terceiro condenado na trama golpista a tentar fugir. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso em 22 de novembro, após tentar romper a tornozeleira eletrônica durante a prisão domiciliar. Já o deputado federal Alexandre Ramagem (PL) conseguiu viajar para os Estados Unidos e é considerado foragido da Justiça, sem uso de tornozeleira.
Denúncia e defesa
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Vasques deu ordens ilegais para que policiais da PRF realizassem blitze com o objetivo de dificultar o deslocamento de eleitores no segundo turno das eleições de 2022, em 30 de outubro.
A defesa, representada pelo advogado Eduardo Pedro Nostrani Simão, nega que Vasques tenha atuado para barrar eleitores do então candidato Lula, afirmando que o ex-diretor da PRF foi alvo de uma “tempestade midiática” e de notícias falsas.
Vasques chegou a ser preso em agosto de 2023, também por determinação de Alexandre de Moraes, sob o argumento de que, em liberdade, poderia coagir agentes da PRF. Ele ficou preso por cerca de um ano e foi liberado mediante o cumprimento de medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, suspensão do porte de arma, proibição de sair do país e de usar redes sociais.
Em janeiro, assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação da Prefeitura de São José (SC), mas deixou o cargo após a condenação no STF.






