Desde que assumiu o governo de Pernambuco, a governadora Raquel Lyra tem se destacado como uma gestora técnica, com foco na eficiência do gasto público e na organização das contas estaduais. Essa abordagem traz resultados positivos em indicadores e no equilíbrio fiscal, mas revela fragilidades na esfera política, especialmente na coordenação da coalizão que sustenta o governo.
No nosso sistema político, é essencial que o chefe do Executivo articule uma base legislativa coesa. Governadores e presidentes precisam coordenar pessoalmente suas coalizões; delegar essa função a subordinados nunca é suficiente. A ausência de liderança nessa área gera problemas estratégicos, como foi observado no governo Dilma Rousseff.
Em Pernambuco, a falta de coordenação política da governadora já produziu efeitos concretos. A liderança de João Campos nas pesquisas foi favorecida pela ausência de articulação da base governista. Mais recentemente, dois episódios evidenciaram essa fragilidade:
Projeto de lei 2692/2025 – autorizando empréstimo de R$ 1,5 bilhão. Apesar de possuir maioria numérica, a base do governo foi incapaz de organizar a tramitação, permitindo que a oposição atrasasse o processo por seis meses.
Criação da CPI da Publicidade – novamente a oposição se mostrou mais coesa, assumindo controle de partidos da base governista. Decisões judiciais posteriores corrigiram o desarranjo, mas a fragilidade estratégica do governo ficou evidente.
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O desafio agora é claro: para 2026, Raquel Lyra precisará coordenar não apenas a base parlamentar, mas também os 70 prefeitos do PSD e demais aliados partidários, garantindo que a reeleição ocorra sem deserções ou desorganização. O oportunismo é uma marca persistente na política brasileira, e a presença da governadora na coordenação política será determinante para manter a coesão e evitar surpresas indesejadas.






