Uma nova etapa da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), trouxe à tona detalhes alarmantes sobre um esquema nacional de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A investigação, que se concentra no período entre 2019 e 2024, aponta para descontos indevidos realizados diretamente nas aposentadorias e pensões de milhares de brasileiros, totalizando um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões. A operação, que conta com o respaldo do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpre 31 mandados de busca e apreensão e medidas de monitoramento eletrônico em Pernambuco, São Paulo, Paraíba e no Distrito Federal.
Em Pernambuco, o foco das autoridades recai sobre servidores e ex-servidores do INSS que teriam facilitado a atuação de associações fraudulentas. Entre os nomes sob investigação estão ex-gerentes executivos e ex-integrantes da diretoria regional, como Rogério Soares de Souza e Everaldo Felício de Macedo Junior. Em São Paulo, a atenção se volta para o empresário Américo Monte Júnior, dono da Amar Brasil Clube de Benefícios, cuja residência de alto padrão em Alphaville foi alvo de busca, com a descoberta surpreendente de valores em espécie escondidos em sacos de lixo. Monte Júnior, que chegou a receber auxílio emergencial durante a pandemia, agora será monitorado por tornozeleira eletrônica.
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O mecanismo da fraude envolvia a inserção de descontos ilegais nas folhas de pagamento dos beneficiários sob a justificativa de filiações a associações, sem que houvesse qualquer autorização ou consentimento por parte dos segurados. A complexidade do esquema exigia uma estrutura operacional robusta, que conectava intermediários financeiros e gestores de entidades de classe, como a UNIBAP e a ABENPREV. Além dos servidores públicos, o caso atingiu figuras do cenário político nacional, incluindo parlamentares, que negam qualquer vínculo com as irregularidades constatadas pela PF.
A operação não busca apenas a responsabilização criminal, mas também a recuperação dos valores desviados através do bloqueio de bens dos envolvidos. A Polícia Federal e a CGU continuam os trabalhos de análise dos documentos e materiais apreendidos nesta quarta-feira (27), visando desmantelar completamente os três núcleos regionais identificados. O caso serve como um alerta para que aposentados e pensionistas monitorem regularmente seus extratos de pagamento junto ao sistema 'Meu INSS', reportando qualquer desconto desconhecido diretamente aos canais oficiais da autarquia previdenciária.






