Uma operação estratégica deflagrada pelas forças de segurança de Pernambuco desmantelou um dos pontos de logística mais significativos do crime organizado na Região Metropolitana do Recife. Denominada "Operação Iara", a ação policial teve como foco a Ilha do Bananal, situada no bairro da Iputinga, Zona Oeste da capital. O local, que possui uma extensão de 32 hectares e difícil acesso, era utilizado há pelo menos um ano como um verdadeiro "quartel-general" do tráfico de drogas, servindo como base para armazenamento de armamentos pesados e distribuição de entorpecentes para diversas áreas do Grande Recife.
Ao longo de 28 dias de monitoramento e incursões táticas, a Secretaria de Defesa Social (SDS) confirmou a prisão de 17 indivíduos envolvidos com a organização criminosa. Entre os detidos, destaca-se a captura de um dos principais líderes da quadrilha, de 42 anos, localizado no interior da Paraíba. Além das prisões, o balanço da operação inclui a apreensão de um arsenal robusto, composto por 17 armas de fogo — incluindo fuzis e submetralhadoras — oito granadas artesanais, além de mais de 3.700 munições de diversos calibres. A eficácia da força-tarefa foi celebrada pelas autoridades, que ressaltaram a ausência de disparos e de homicídios no período da ocupação.
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A sofisticação do grupo criminoso chamou a atenção dos especialistas do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Foram encontrados "Trajes Ghillie", roupas de camuflagem 3D utilizadas por atiradores de elite em vegetações densas, um item raramente apreendido em Pernambuco. O material, que estava enterrado, sinaliza a preparação dos criminosos para confrontos de alta complexidade. Além dos trajes, foram apreendidas quantidades expressivas de crack e cocaína, cinco veículos e equipamentos de pesagem de precisão, itens que agora serão submetidos a perícia detalhada pelo Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc).
O delegado Vitor Freitas, titular do Denarc, reforçou que o objetivo da próxima fase da investigação é a asfixia financeira da facção. "Estamos trabalhando para identificar as lideranças remanescentes e descapitalizar o grupo através do sequestro de bens patrimoniais obtidos com o lucro do crime", afirmou. A Polícia Militar segue mantendo presença na área e a operação não possui data para ser encerrada, garantindo que o território seja esvaziado da influência criminosa que assolava a localidade.






