Uma complexa operação deflagrada pela Polícia Federal, em conjunto com a Auditoria-Fiscal do Trabalho, resultou no resgate de 22 mulheres mantidas em condições análogas à escravidão. A ação, denominada "Operação Donos da Noite", concentrou seus esforços no combate ao tráfico de pessoas e à exploração sexual interestadual. Os resgates ocorreram em estabelecimentos situados nos estados da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, revelando uma estrutura criminosa organizada e predatória.
A maior parte das vítimas foi encontrada em municípios paraibanos, enquanto quatro mulheres foram libertadas na cidade de Goiana, em Pernambuco. Em território potiguar, embora um dos locais estivesse fechado durante a investida, os agentes encontraram provas documentais robustas, como cadernos de controle de dívidas e pertences das vítimas, que confirmam a extensão da rede de exploração. A liderança do esquema era exercida por uma única empregadora e seus familiares, que impunham um regime de terror e privação de liberdade sobre as trabalhadoras.
📲 Fique por dentro das notícias de Arcoverde!
Agora o Arcoverde Agora também tem um canal oficial no WhatsApp, onde você recebe em primeira mão as principais informações da cidade e do Sertão do Moxotó.
👉 Clique aqui e entre no nosso canal
O mecanismo de controle utilizado pela organização criminosa baseava-se em um sistema perverso de dívidas impagáveis. As mulheres eram cobradas por itens básicos, como vestuário, alimentação e higiene, além de procedimentos estéticos, com valores arbitrados unilateralmente pelos exploradores. Muitas encerravam semanas inteiras de labor sem receber qualquer remuneração. O nível de opressão incluía metas abusivas, como a obrigatoriedade de consumir 40 doses de álcool por semana e realizar 20 programas sexuais por dia, sob pena de multas financeiras que apenas aumentavam o ciclo de dependência.
Além da exploração financeira, as vítimas enfrentavam graves violações de direitos humanos, incluindo jornadas de trabalho exaustivas que se estendiam da tarde até o início da madrugada, relatos de abusos sexuais e precariedade absoluta de moradia. A Auditoria-Fiscal do Trabalho notificou os responsáveis, exigindo a interrupção imediata das atividades, o pagamento dos direitos trabalhistas devidos e o custeio do retorno das vítimas aos seus locais de origem. As autoridades seguem com as investigações, visando identificar outras possíveis vítimas desse esquema criminoso.






