Uma recente operação deflagrada pela Polícia Federal colocou o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), no centro de uma investigação complexa que apura a legalidade e a motivação por trás de investimentos vultosos realizados pelo governo estadual no Banco Master, instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro. O cerne da apuração reside em aportes financeiros que, somados, alcançam cifras bilionárias, levantando sérios questionamentos sobre a gestão de recursos públicos e a possível conexão com interesses de figuras influentes da política nacional.
Conforme documentos que compõem o inquérito, o governo fluminense teria realizado duas rodadas iniciais de investimentos, totalizando R$ 1,1 bilhão, visando dar fôlego financeiro ao banco. Em um movimento que surpreendeu especialistas e órgãos de controle, a gestão estadual optou por dobrar a aposta, realizando um terceiro aporte expressivo de R$ 2,6 bilhões. A coincidência cronológica entre esses repasses e episódios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, especificamente relacionados ao financiamento do filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, tem sido o ponto focal das atenções da Polícia Federal e do Ministério Público.
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A defesa do senador Flávio Bolsonaro alega desconhecimento sobre a origem dos recursos ou sobre a situação irregular do banco na época dos fatos. No entanto, relatórios do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e denúncias protocoladas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) indicam que, meses antes das negociações, o governador Cláudio Castro já havia sido notificado por órgãos de controle sobre graves suspeitas de irregularidades envolvendo a instituição de Vorcaro. A conselheira do TCE, Mariana Montebello, chegou a emitir alertas formais ao Executivo estadual sobre o risco sistêmico que tais aplicações representavam para o patrimônio público.
Além do volume financeiro, a estrutura do investimento também gerou críticas severas. A terceira onda de aplicações destinou R$ 100 milhões ao fundo Texas IFA, que, segundo apontamentos técnicos, possuía uma concentração perigosa de 96,12% em uma única ação, a Ambipar. O Tribunal de Contas classificou a operação como de altíssimo risco e destacou que a dependência excessiva de um único grupo econômico para a alocação de recursos previdenciários fere os princípios de cautela e diversificação exigidos na gestão de verbas públicas. O caso segue sob sigilo parcial enquanto novas diligências buscam esclarecer se os aportes foram motivados por estratégias financeiras legítimas ou por interesses de conveniência política.






