A Polícia Civil de Pernambuco, em conjunto com o Ministério Público Estadual, deflagrou a Operação Cortina de Fumaça, uma ofensiva estratégica contra um sofisticado esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro que gerou um prejuízo superior a R$ 132 milhões aos cofres públicos. As investigações, coordenadas pela Delegacia de Crimes Contra a Ordem Tributária, apontam para a existência de uma organização criminosa que operava através de uma rede complexa de empresas de fachada, infiltradas em diversos setores do comércio estadual, especialmente no ramo de distribuição de alimentos.
Segundo o delegado Breno Varejão, o grupo utilizava dados de pessoas em situação de vulnerabilidade social, beneficiárias de programas de transferência de renda como o Bolsa Família, para figurarem como proprietárias das empresas de fachada. Essas pessoas, frequentemente, recebiam quantias financeiras para permitirem o uso de seus documentos na formalização fraudulenta dos negócios, permitindo que os verdadeiros líderes do esquema permanecessem ocultos enquanto movimentavam cifras milionárias e operavam a venda de mercadorias sem a devida emissão de notas fiscais.
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A apuração, iniciada em 2023, revelou que o esquema estava ativo há pelo menos uma década. As diligências da operação resultaram no cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão, além de bloqueios de bens e a imposição de medidas cautelares, como o uso de tornozeleiras eletrônicas para os investigados. Ao todo, 14 pessoas e 36 empresas estão sob análise das autoridades. O grupo contava com o suporte técnico de contadores que atuavam como procuradores perante órgãos como a Receita Estadual e a Junta Comercial (Jucepe), facilitando a criação e a manutenção das empresas laranjas.
As operações do grupo criminoso estendiam-se pelo Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa), no Recife, além de cidades como Camaragibe, Caruaru e Bezerros. De acordo com a Polícia Civil, a prática de sonegação fiscal não apenas esvazia os recursos necessários para o investimento em áreas essenciais como saúde, educação e segurança pública, mas também gera um desequilíbrio nocivo no mercado. A concorrência desleal prejudica empresas que operam dentro da legalidade, comprometendo a economia regional. As autoridades seguem com as investigações para identificar outros envolvidos e recuperar os valores desviados do erário pernambucano.






