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Operação Conto da Sorte desarticula esquema bilionário de apostas ilegais em três estados

Por Redação Arcoverde Agora
Operação Conto da Sorte desarticula esquema bilionário de apostas ilegais em três estados

Uma força-tarefa coordenada pelos Ministérios Públicos do Rio Grande do Norte e de Pernambuco, em conjunto com a Receita Federal, deflagrou nesta quinta-feira (18) a Operação Conto da Sorte. A ação teve como objetivo desarticular um esquema criminoso de larga escala envolvendo a operação irregular de apostas de quota fixa, popularmente conhecidas como "bets", que movimentou cifras bilionárias de forma ilícita. Durante a diligência, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão espalhados pelos estados de Pernambuco, Ceará e São Paulo. Embora não tenham sido efetuadas prisões nesta etapa, o material coletado é considerado fundamental para a continuidade das investigações e a comprovação de crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de jogos de azar.

As investigações tiveram início a partir de uma análise técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, após irregularidades identificadas na gestão da autarquia Lotseridó, criada pelo município de Bodó (RN). Segundo as autoridades, a autarquia passou a credenciar empresas de apostas sem a devida autorização federal, permitindo que estas operassem à revelia das normas vigentes mesmo após o encerramento das atividades do órgão. A Receita Federal busca agora garantir a restituição aos cofres públicos, tendo obtido o bloqueio judicial de bens e direitos no valor de até R$ 145 milhões para assegurar a reparação dos ilícitos apurados.

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O esquema criminoso operava por meio da constituição de dezenas de empresas de fachada e instituições de pagamento, muitas vezes registradas em nome de terceiros sem capacidade econômica, incluindo beneficiários de programas sociais, enquanto o controle real permanecia nas mãos dos investigados. De acordo com o balanço da Receita Federal, essas empresas eram utilizadas para ocultar a movimentação financeira, realizar lavagem de dinheiro através da aquisição de imóveis e promover a sonegação fiscal. Além disso, foi constatada a ausência sistemática de repasses sobre a receita líquida das apostas, contrariando o que estabelece a Lei nº 13.756/2023.

Os investigadores ressaltam que, além do prejuízo ao erário, o esquema induzia o consumidor à especulação em plataformas não autorizadas, configurando crimes contra as relações de consumo. Os documentos e mídias apreendidas nas residências e sedes empresariais nos três estados alvos da operação passarão agora por perícia detalhada. A expectativa é que, com o cruzamento dessas informações e a quebra de sigilos bancários, o valor total movimentado pela quadrilha, que suspeita-se atingir a casa dos bilhões, seja finalmente dimensionado, servindo de prova para a futura denúncia criminal contra os envolvidos no esquema das bets.

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