A política brasileira volta a ocupar o centro das atenções com o desenrolar da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (18). O epicentro das investigações envolve o senador e líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o gestor do Banco Master, Augusto Ferreira Lima. Segundo documentos oriundos do Supremo Tribunal Federal (STF), as autoridades investigam indícios de uma relação estratégica e ilícita entre o parlamentar e o grupo econômico, envolvendo transações financeiras vultosas e a suposta compra de um imóvel de luxo como contrapartida.
Os relatórios da PF indicam que Augusto Lima atuava como o principal interlocutor do senador, coordenando desde a logística de transporte, como o uso de jatos particulares, até a viabilização de recursos. Uma mensagem interceptada pelos investigadores revelou o teor da proximidade entre os envolvidos, na qual Lima afirma a Wagner que o petista faria parte do processo de venda do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília). O ministro relator no STF, André Mendonça, destacou que o teor das comunicações sugere que o senador não atuava apenas como receptor de informações, mas como um articulador central em temas que impactavam diretamente o grupo financeiro.
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De acordo com o balanço patrimonial, as transações entre o Master e o BRB alcançaram a marca de R$ 30 bilhões entre 2024 e o final de 2025. Contudo, parte significativa desse montante, cerca de R$ 8,8 bilhões, refere-se a ativos classificados como "crédito podre" ou de difícil recuperação, gerando um possível rombo financeiro. A investigação aponta que Jaques Wagner teria exercido influência parlamentar para beneficiar o banco, atuando em pautas como a elevação da margem consignável e alterações no limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
A Polícia Federal sustenta que, em troca dessas intervenções, o senador teria sido beneficiado com a aquisição de um apartamento de alto padrão em Salvador, avaliado em R$ 2,4 milhões. Embora a PF tenha solicitado mandados de busca e apreensão em gabinetes ligados ao senador, o ministro André Mendonça indeferiu o pedido, sob a justificativa de que não havia comprovação de que as provas indispensáveis estariam no local e que medidas contra parlamentares exigem fundamentação rigorosa. Até o presente momento, a assessoria jurídica de Jaques Wagner não se manifestou formalmente sobre as acusações e o curso das investigações. O desdobramento da Operação Compliance Zero promete novos capítulos à medida que a Polícia Federal avança no mapeamento dos fluxos financeiros e das articulações políticas mencionadas nos autos do processo.






