A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta sexta-feira (3), a operação denominada "Acesso Negado", visando desarticular um esquema de irregularidades na aplicação das chamadas "emendas PIX". A ação ocorre simultaneamente nos estados de Roraima, Bahia, São Paulo e Tocantins, onde estão sendo cumpridos 41 mandados de busca e apreensão. O foco da investigação reside na má gestão de recursos públicos federais transferidos diretamente a entes municipais, mecanismo que, embora ágil, tem sido alvo de questionamentos quanto à transparência e à fiscalização.
As diligências concentram-se especificamente nos municípios de Iracema e São Luiz do Anauá, situados em Roraima. A investigação foi impulsionada por auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU), as quais foram requisitadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em meio a uma Ação Direta de Inconstitucionalidade movida pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). A operação recebeu o aval direto do ministro Flávio Dino, do STF, e busca apurar crimes graves contra a Administração Pública, incluindo fraude em licitações, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro.
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O relatório técnico elaborado pela CGU é contundente ao apontar falhas estruturais no gerenciamento dos valores recebidos. Conforme as evidências coletadas, diversas obras financiadas por meio dessas transferências encontram-se paralisadas, sem a devida conclusão. Além disso, a ausência de registro das compras e contratações no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) viola diretamente a Lei de Diretrizes Orçamentárias, comprometendo o princípio da publicidade que deve reger o uso do erário.
A análise dos investigadores destacou ainda a omissão na inserção de relatórios de gestão na plataforma Transferegov.br e o fracionamento dos recursos em múltiplas contas bancárias, prática que, segundo o órgão, visa dificultar o rastreio do fluxo financeiro. O município de São Luiz do Anauá foi citado especificamente por falhas no Portal da Transparência, impossibilitando que a população monitore a execução das verbas parlamentares. Com o avanço das investigações, a Polícia Federal busca não apenas individualizar as responsabilidades pelos delitos identificados, mas também recuperar montantes possivelmente desviados, reforçando o rigor do controle externo sobre verbas públicas federais enviadas diretamente a gestões locais.






