ONS aciona plano emergencial pela primeira vez para conter excedente de energia no Brasil

Pela primeira vez na história do setor elétrico brasileiro, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) colocou em prática, neste domingo (7), o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição. A medida, de caráter preventivo, visa garantir a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), diante de um cenário de superoferta de energia que ameaçava comprometer a frequência e a tensão das redes em diversas regiões do país. O acionamento foi necessário para evitar desligamentos em cascata que poderiam prejudicar o fornecimento para milhões de consumidores.
A decisão reflete os desafios impostos pelo crescimento acelerado da matriz energética renovável, especialmente a solar e a eólica. O excedente de geração, muitas vezes imprevisível devido às variações climáticas, tem criado obstáculos operacionais para o ONS. De acordo com o órgão, a sobreoferta não controlada pode levar a um colapso sistêmico, razão pela qual o plano foi estabelecido no ano passado com o aval da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A ação atual focou na redução preventiva da geração para reequilibrar o sistema nacional de distribuição.
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A medida impacta diretamente as pequenas hidrelétricas, além de sistemas de mini e microgeração distribuída. Este último grupo, composto por consumidores residenciais e comerciais que instalam painéis fotovoltaicos em seus telhados para reduzir custos, encontra-se atualmente fora do controle direto do ONS. Contudo, a injeção excessiva desse excedente na rede pública em horários de baixa demanda forçou as distribuidoras a intervir. O órgão ressaltou que, antes de chegar a essa etapa extrema, buscou reduzir a carga de usinas centralizadas, mas a necessidade de manter a segurança do sistema tornou o protocolo indispensável.
O histórico de ocorrências anteriores, registradas em maio e agosto, serviu como alerta para a urgência da implementação do plano. O ONS reforçou que a prioridade absoluta é a continuidade do serviço e a integridade da infraestrutura elétrica, que enfrenta um período de transição complexa com a massificação das fontes renováveis. Especialistas apontam que a modernização tecnológica das redes e o aumento do armazenamento de energia serão fundamentais para que, no futuro, o Brasil possa absorver essa produção sem a necessidade de desligamentos preventivos que afetam os produtores independentes e a eficiência do sistema.
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