Vista panoramica da cidade de Arcoverde, PernambucoLogo Arcoverde Agora
Pernambuco

O ódio das elites e o avanço no acesso ao ensino universitário no Brasil

Por Redação Arcoverde Agora
O ódio das elites e o avanço no acesso ao ensino universitário no Brasil

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em parceria com o INCRA, lançou uma iniciativa inédita: a abertura de 80 vagas para o curso de Medicina destinadas a assentados da reforma agrária e quilombolas, através do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).

É a primeira vez que o programa contempla a área de Medicina, com o objetivo de formar profissionais voltados para atender às necessidades do campo e de comunidades historicamente excluídas.

Das 80 vagas, 40 são de ampla concorrência e 40 voltadas a ações afirmativas (cotas). As inscrições ocorreram entre os dias 10 e 20 de setembro, com processo seletivo que inclui prova presencial e análise do histórico escolar. O resultado preliminar será divulgado em 14 de outubro no site da UFPE, e a lista final até o dia 16. As aulas presenciais começam em 20 de outubro de 2025, no Centro Acadêmico do Agreste, em Caruaru.

A UFPE reforçou que o processo é legal, transparente e não reduz vagas já existentes, pois se trata de uma turma extra.

Educação como reparação histórica

O Brasil carrega mais de cinco séculos de dominação por elites que, historicamente, resistem a qualquer política de reparação. O acesso das camadas populares a espaços antes exclusivos, como universidades e aeroportos, sempre gerou incômodo. Programas como SISU, cotas, ENEM e Pé de Meia ampliaram esse acesso, mas também despertaram forte reação de setores conservadores.

Casos de superação se tornaram símbolos dessa mudança.

Viralizou recentemente o relato de uma jovem, filha de vaqueiro, que se emocionou ao contar ao presidente Lula: “o patrão do meu pai disse que a filha dele nunca seria médica igual aos filhos dele. Hoje sou médica, formada em cardiologia e faço transplantes cardíacos”.

Outro exemplo é Matheus de Araújo Moreira Silva, de 28 anos, quilombola e estudante de Medicina na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), que hoje dedica sua trajetória a apoiar outros jovens em busca de uma vaga no ensino superior.

Reações contrárias

Como esperado, a iniciativa da UFPE enfrentou resistência. O deputado bolsonarista Alberto Feitosa acionou a Justiça contra o edital, repetindo argumentos já conhecidos contra políticas de inclusão. A Associação Paulista de Medicina (APM) também se posicionou contra, alegando que o programa “restringe o espaço de avaliação a um viés ideológico”.

Na prática, o que está em jogo é a defesa de um modelo que mantém o padrão econômico como barreira de acesso à educação pública superior de qualidade.

📲 Fique por dentro das notícias de Arcoverde!

Agora o Arcoverde Agora também tem um canal oficial no WhatsApp, onde você recebe em primeira mão as principais informações da cidade e do Sertão do Moxotó.

👉 Clique aqui e entre no nosso canal

Uma vitória simbólica

Ao contrário das críticas, a iniciativa da UFPE representa um avanço concreto para comunidades que, em muitos casos, não têm acesso sequer à medicina preventiva. Médicos formados a partir de realidades populares estarão mais preparados para atuar em territórios onde profissionais, formados sob uma visão elitista, muitas vezes se recusam a ir.

Não é a solução para o abismo histórico das desigualdades brasileiras, mas é um passo de dignidade acadêmica e social. A UFPE mostra que é possível formar médicos comprometidos com as necessidades de seus povos e territórios.

Uma iniciativa que, sem dúvida, merece reconhecimento.

Tags:

Pernambuco

Site criado pela

logo