Enquanto a atenção global se volta para os preparativos da Copa do Mundo de 2026, o Paraguai tem protagonizado uma trajetória silenciosa, porém impressionante, em outro campo: a economia. Nos últimos três anos, a nação vizinha registrou um crescimento médio de 5,5% ao ano, superando significativamente o desempenho da maioria dos países da América do Sul. De acordo com dados do Banco Mundial, esse salto econômico foi acompanhado por uma redução histórica na pobreza, que hoje atinge 16%, e pela conquista da menor taxa de desemprego dos últimos 13 anos, consolidando um cenário que especialistas classificam como um verdadeiro boom econômico.
O sucesso paraguaio não é fruto do acaso, mas de uma combinação estratégica de fatores que incluem um sistema tributário simplificado — com alíquotas fixas de 10% —, dívida pública controlada e uma matriz energética privilegiada. A disponibilidade de energia limpa e barata, proveniente das hidrelétricas de Itaipu e Yaciretá, transformou o país em um hub atraente para centros de dados, inteligência artificial e indústrias de alta tecnologia. Contudo, apesar dos indicadores macroeconômicos positivos, o governo do presidente Santiago Peña enfrenta o desafio de transpor esse crescimento para a vida real da população, combatendo a informalidade laboral, que ainda abrange seis em cada dez trabalhadores, e reduzindo o abismo da desigualdade social.
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A sustentabilidade desse modelo de desenvolvimento é o foco atual das análises internacionais. Após elevar a nota de crédito do país ao grau de investimento, agências como Moody's e S&P sinalizam confiança na solidez das reformas paraguaias. O próximo passo, segundo economistas, é transformar essa confiança em infraestrutura de longo prazo. Projetos como o Corredor Bioceânico, que ligará o Atlântico ao Pacífico cruzando o Chaco paraguaio, prometem reduzir custos logísticos em 25%, posicionando o Paraguai definitivamente como o coração logístico da América do Sul.
Além do setor energético e da logística, o agronegócio permanece como motor central da economia, respondendo por dois terços da atividade produtiva. A diversificação de mercados — com o Paraguai sendo um dos poucos países a manter laços diplomáticos com Taiwan — tem permitido o escoamento de carnes e grãos para destinos asiáticos promissores. A fase de crescimento acelerado agora transita para uma etapa de estabilização. O desafio para a gestão atual será garantir que a produtividade alcançada pelas grandes corporações se traduza, de maneira equitativa, em melhores salários e maior qualidade de vida para a população rural e urbana, fechando a brecha da desigualdade que ainda persiste no país.






