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Neurociência explica mecanismos cerebrais por trás da agressão contra mulheres

Por Redação Arcoverde Agora
Neurociência explica mecanismos cerebrais por trás da agressão contra mulheres

A violência contra a mulher é um problema complexo que transcende as esferas social e jurídica, atingindo também o campo da neurobiologia. Em análise recente, o neurocientista Fernando Rossi explicou como o funcionamento cerebral de agressores é alterado durante episódios de violência. Segundo o especialista, o ato agressivo é condicionado por um desequilíbrio entre duas regiões fundamentais: a amígdala cerebral, responsável pelas reações emocionais e impulsos de defesa, e o córtex pré-frontal, área incumbida da racionalização e do controle comportamental.

Durante o momento da agressão, ocorre uma hiperativação da amígdala, o que acaba por "adormecer" ou reduzir a atividade do córtex pré-frontal. Esse processo impede que o agressor avalie as consequências de seus atos, priorizando respostas primitivas de ataque. Rossi ressalta, no entanto, que entender esse mapeamento neural não serve de justificativa para os atos de violência, mas sim como uma ferramenta para identificar padrões que precisam ser alterados para interromper ciclos de abuso que frequentemente se iniciam na infância.

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O comportamento violento também é moldado pela socialização e pela validação de estruturas machistas. O neurocientista destaca que muitos agressores cresceram em ambientes de conflito, o que condicionou o cérebro a interpretar a agressividade como um mecanismo normal e necessário. Quando essa conduta é reforçada pelo meio social, o sistema de recompensa do cérebro libera dopamina, transformando o ato violento em um hábito automático, que dispensa a reflexão prévia.

Para reverter esse cenário, Rossi defende que a punição penal, por si só, é insuficiente sem um trabalho de ressocialização. O especialista sugere que terapias focadas no comportamento, como a terapia cognitivo-comportamental, são essenciais para fortalecer o córtex pré-frontal do agressor e tratar os traumas da vítima. A mudança requer, antes de tudo, o reconhecimento do problema e a vontade de transformação. Em Pernambuco, onde os números de feminicídio atingiram patamares preocupantes em 2025, o debate sobre a reeducação dos agressores torna-se um pilar vital para a segurança pública e a quebra do ciclo da violência de gênero.

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