O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, embarcou nesta terça-feira (10) para Washington, onde pretende convencer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a ampliar o escopo das negociações nucleares em curso com o Irã. As conversas, retomadas na semana passada, ocorrem em meio a um reforço militar norte-americano na região e a um cenário de elevada tensão geopolítica.
Israel defende há anos que qualquer acordo obrigue o Irã a cessar totalmente o enriquecimento de urânio, reduzir seu programa de mísseis balísticos e romper vínculos com grupos militantes apoiados por Teerã no Oriente Médio. O Irã, por sua vez, rejeita essas condições e sustenta que só aceitaria limitações parciais em troca do alívio de sanções econômicas.
Ainda não está claro se a repressão violenta a protestos internos no Irã, ocorrida no mês passado, ou o deslocamento de forças militares dos EUA tornaram o regime iraniano mais propenso a concessões, nem se Trump está disposto a ampliar negociações já consideradas complexas.
Netanyahu permanecerá em Washington até quarta-feira (11). Ao longo de décadas de carreira política, ele tem pressionado por uma postura mais dura dos Estados Unidos contra o Irã. Esses esforços se intensificaram no ano passado, quando EUA e Israel realizaram 12 dias de ataques a instalações militares e nucleares iranianas. A possibilidade de novas ações militares deve voltar à mesa nas reuniões desta semana.
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“Decisões estão sendo tomadas”
A visita ocorre duas semanas após encontros, em Jerusalém, entre Netanyahu e enviados de Trump, como Steve Witkoff e Jared Kushner. Paralelamente, representantes dos EUA mantiveram conversas indiretas em Omã com o chanceler iraniano.
Segundo o gabinete do premiê israelense, “qualquer negociação deve incluir a limitação de mísseis balísticos e o fim do apoio ao eixo iraniano”, referência a grupos como Hamas e Hezbollah.
Após anos de impasses desde que Trump abandonou o acordo nuclear de 2015, Netanyahu vê na reunião uma chance de influenciar o processo e também fortalecer sua posição política interna. Para o analista Yohanan Plesner, do Instituto de Democracia de Israel, “estes são dias em que decisões estão sendo tomadas”, e a presença física é crucial para exercer influência.
Israel teme acordo limitado
Israel avalia com preocupação a possibilidade de um acordo restrito, no qual o Irã suspenda temporariamente o enriquecimento de urânio. Especialistas apontam que tal arranjo permitiria a Trump declarar vitória, sem resolver pontos considerados centrais por Israel.
A analista Sima Shine, ex-integrante do Mossad, afirmou que um acordo que não encerre o programa nuclear nem reduza o arsenal de mísseis pode, no futuro, forçar Israel a novos ataques militares. O Irã sustenta que seu programa é pacífico, mas EUA e Israel desconfiam de objetivos militares.
Embora Teerã tenha afirmado que não consegue enriquecer urânio após os ataques do ano passado, o real impacto sobre seu programa nuclear permanece incerto. Inspetores internacionais ainda não tiveram acesso a locais bombardeados, apesar de imagens de satélite indicarem atividade em alguns deles.
Contexto político interno
Netanyahu enfrenta eleições ainda este ano e tem explorado sua relação próxima com Trump, a quem já chamou de “o melhor amigo que Israel já teve na Casa Branca”. A viagem reforça a imagem de protagonismo do premiê nas negociações internacionais.
Inicialmente, Netanyahu visitaria Washington na próxima semana para o lançamento do Conselho de Paz proposto por Trump, mas antecipar a agenda pode permitir que ele evite o evento sem desgaste diplomático, já que a iniciativa inclui países como Turquia e Catar, vistos com reservas por Israel.






