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Mulher de 62 anos é resgatada de trabalho análogo à escravidão após 55 anos sem salário

Por Redação Arcoverde Agora
Mulher de 62 anos é resgatada de trabalho análogo à escravidão após 55 anos sem salário

Um caso de violação extrema aos direitos humanos chocou o país após a revelação do resgate de uma mulher de 62 anos que viveu em condições análogas à escravidão durante 55 anos. A vítima, que passou toda a sua vida adulta e a maior parte da infância servindo a uma mesma linhagem familiar em um condomínio de luxo na cidade de Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza, não recebia salários e vivia em um estado de total dependência e isolamento social. A situação foi descoberta após uma denúncia anônima realizada via Disque 100, mobilizando a Auditoria-Fiscal do Trabalho para uma intervenção imediata.

Segundo o relato das autoridades, a rotina da mulher era marcada pela dedicação exclusiva às demandas domésticas, iniciando as atividades por volta das 4h30 da manhã, sem direito a lazer ou vida própria. Ela não possuía conta bancária, não sabia ler e não mantinha contato com outras pessoas, vivendo em um ciclo de submissão que se iniciou na década de 1970, quando foi trazida do Piauí pela família exploradora ainda criança. A Auditoria-Fiscal classificou o ambiente como uma "prisão induzida", onde a vítima, mesmo sendo hipertensa, era forçada a cuidar da casa e dos filhos e netos dos seus empregadores.

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Diante da gravidade da exploração, o Ministério Público do Trabalho (MPT) firmou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com os empregadores, entre eles advogados, servidores públicos e médicos veterinários. As medidas reparatórias incluem o pagamento de R$ 50 mil em verbas rescisórias, a aquisição de um imóvel residencial no valor mínimo de R$ 150 mil, além da regularização previdenciária para garantir a aposentadoria da trabalhadora. O órgão estima que as dívidas trabalhistas acumuladas ao longo de décadas superam R$ 1,5 milhão.

A família envolvida, por meio de seu escritório de advocacia, contestou as acusações, alegando que a relação era baseada em "afeto e convivência" e que a mulher teria recebido suporte ao longo do tempo. No entanto, as autoridades mantêm o posicionamento de que a ausência de salário e a privação de liberdade caracterizam, tecnicamente, o trabalho escravo contemporâneo. Atualmente, a vítima está sob os cuidados de uma rede de apoio psicossocial do Centro de Referência em Direitos Humanos, que trabalha na sua escolarização e na reconstrução de sua autonomia, enquanto o MPT continua monitorando o cumprimento das obrigações assumidas no TAC para assegurar que a dignidade da mulher seja, enfim, garantida.

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