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Ministro Guilherme Boulos critica relatório de regulamentação de aplicativos e aponta retrocessos

Por Redação Arcoverde Agora
Ministro Guilherme Boulos critica relatório de regulamentação de aplicativos e aponta retrocessos

O cenário da regulamentação do trabalho por aplicativos no Brasil ganhou contornos de tensão nesta quarta-feira, após críticas contundentes do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, ao novo parecer apresentado pelo deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE). A proposta, que visa normatizar a prestação de serviços por plataformas digitais, mantém valores de remuneração que o governo federal considera insuficientes, como o piso de R$ 8,50 por entrega e R$ 14,74 por hora trabalhada. Segundo Boulos, o texto atual apresenta "muitos retrocessos" em comparação às versões discutidas anteriormente em Grupo de Trabalho específico.

Diante do impasse, o ministro da Secretaria-Geral afirmou que buscará um diálogo direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, para alinhar uma posição oficial do Poder Executivo sobre o tema. A controvérsia central reside no fato de que o relator optou por não incorporar a sugestão de elevar a remuneração mínima por corrida para R$ 10,00, além de não contemplar piso salarial para o transporte de passageiros. A articulação política para este projeto é tratada como prioridade pelo Legislativo, com previsão de votação na Comissão Especial e no plenário da Câmara para a próxima semana.

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A análise técnica da Secretaria-Geral da Presidência elenca uma série de pontos considerados prejudiciais aos trabalhadores. Entre eles, a possibilidade de as empresas escolherem unilateralmente o modelo de remuneração, o que poderia inviabilizar a aplicação da taxa mínima, além da exclusão de benefícios como adicional noturno e bonificações por domingos e feriados. O governo também aponta a redução da transparência quanto aos critérios de distribuição de serviços e a flexibilização das obrigações das plataformas na criação de pontos de apoio, que passaram a ser vistos apenas como diretrizes progressivas em vez de obrigações diretas.

No outro lado do debate, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) expressou ressalvas quanto à celeridade da votação e à manutenção de pontos que, segundo a entidade, carecem de maior discussão. As plataformas argumentam que a imposição de taxas mínimas rígidas e a limitação de margens podem comprometer o equilíbrio operacional, impactando a renda de motoristas e entregadores e encarecendo o serviço para os consumidores finais. O embate entre Executivo, Legislativo e empresas de tecnologia promete continuar aquecendo o debate político, especialmente considerando a influência desses temas nas pautas de longo prazo do país.

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