O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, denunciou nesta segunda-feira (18) ter sido alvo de uma grave hostilidade durante um procedimento de embarque em um aeroporto na cidade de São Paulo. Segundo o relato do magistrado, o episódio ocorreu quando uma funcionária de uma companhia aérea, ao manusear seu cartão de embarque, dirigiu-se a um policial do STF que compõe a equipe de segurança do ministro e afirmou que sentia vontade de xingá-lo. Na sequência, a colaboradora teria se “corrigido”, declarando que seria “melhor matar do que xingar” a autoridade pública. O magistrado, embora não tenha revelado o nome da empresa, o aeroporto específico ou a identidade da funcionária, destacou que o ocorrido reflete o atual clima de acirramento político no país, atribuindo a conduta à sua atuação na Suprema Corte.
A repercussão do caso foi imediata entre os membros da cúpula do Judiciário brasileiro. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, manifestou solidariedade pública ao colega, classificando o incidente como grave e inadmissível. Em discurso durante a posse de novos integrantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Fachin enfatizou que o respeito às instituições e a todos os cidadãos, independentemente de ocuparem cargos públicos, é o pilar fundamental para a manutenção da convivência republicana e democrática. O presidente da corte reforçou que, embora a divergência de ideias seja intrínseca a um regime democrático, ela nunca deve servir de justificativa para o ódio ou para qualquer forma de violência física ou verbal.
📲 Fique por dentro das notícias de Arcoverde!
Agora o Arcoverde Agora também tem um canal oficial no WhatsApp, onde você recebe em primeira mão as principais informações da cidade e do Sertão do Moxotó.
👉 Clique aqui e entre no nosso canal
Em suas declarações posteriores ao incidente, Flávio Dino ressaltou que sua preocupação principal não é o ataque pessoal, mas o potencial efeito cascata desse tipo de comportamento nas relações sociais. O ministro alertou para os riscos que a disseminação de ódio pode representar em ambientes de grande circulação, como aeroportos, onde a segurança deve ser prioridade absoluta. Dino propôs, inclusive, que empresas que prestam serviços ao público invistam em campanhas de educação cívica para seus colaboradores. O objetivo seria mitigar as tensões crescentes em um ano eleitoral, garantindo que o direito do consumidor de usufruir de serviços básicos não seja comprometido por preferências ideológicas dos prestadores.
Fachin, ao corroborar a visão de Dino, aproveitou a oportunidade para criticar o financiamento de campanhas coordenadas de desinformação. O presidente do STF afirmou que existe uma distinção clara entre a crítica política legítima e a tentativa deliberada de deslegitimar as instituições democráticas. Para ele, a estabilidade do Estado brasileiro depende do equilíbrio entre a liberdade de expressão e a preservação do tecido social contra ataques que visam minar a confiança da população nos Poderes da República. A postura de ambos os ministros reitera a necessidade de um debate público pautado na serenidade, no espírito público e no compromisso com a dignidade humana, afastando o país da perigosa trilha do arbítrio.






