O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, proferiu declarações contundentes nesta sexta-feira (20) acerca da postura ética e profissional esperada daqueles que ocupam cargos de alta responsabilidade no Poder Judiciário brasileiro. Durante um evento realizado na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro, o magistrado enfatizou que a atuação de um juiz não deve ser pautada pela busca por protagonismo ou pelo estrelismo, mas sim por um compromisso inabalável com o equilíbrio, a consciência das próprias limitações e a responsabilidade institucional. Segundo Mendonça, a essência do trabalho judiciário reside no cumprimento do dever com sobriedade.
Ao abordar a rotina de quem lida com decisões complexas, o ministro destacou a importância de manter a integridade diante de erros, defendendo que a correção de rumos é uma prática necessária e democrática. "Não tenha medo de tomar decisões. Se estiver errado, peça desculpas e corrija a rota, mas não deixe de decidir", afirmou, ressaltando que o magistrado deve ser um agente público que encara suas falhas com honestidade intelectual, privilegiando sempre o interesse coletivo e a justiça em suas sentenças e relatorias, como é o caso de sua atuação atual no caso Master.
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No decorrer de sua exposição, Mendonça redefiniu o conceito de coragem no serviço público, afastando-o de noções de arrogância ou comportamento impositivo. Para o ministro, a verdadeira coragem é a capacidade de manter a serenidade e a racionalidade técnica mesmo sob intensas pressões políticas ou sociais. Ele argumentou que a força de um juiz não advém do tom de voz elevado, mas sim da qualidade de seus argumentos e da motivação de suas decisões perante a sociedade.
O ministro também dedicou parte de seu discurso a refletir sobre a humildade, rechaçando a ideia de que essa virtude seja sinônimo de fragilidade. Pelo contrário, para Mendonça, ser humilde é reconhecer a própria posição de igualdade perante o cidadão comum, mantendo os pés no chão mesmo em postos elevados da República. Relembrando os desafios enfrentados em sua sabatina no Senado Federal em 2021, o magistrado destacou que a resiliência e a percepção estratégica do tempo adequado para o diálogo foram fundamentais para superar resistências e garantir sua posição na Suprema Corte, reforçando a importância do aprendizado contínuo na trajetória jurídica.






