A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara (PSOL), recebeu alta hospitalar na manhã desta quinta-feira (26), após período de internação no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor-HCFMUSP). A gestora havia sido hospitalizada no último sábado (21) devido a um quadro de mal-estar, febre alta e dores abdominais. Segundo o boletim médico oficial emitido pela unidade de saúde, a ministra apresentou excelente resposta ao tratamento, apresentando melhora progressiva de seus sintomas e estabilização do estado geral de saúde, permitindo que ela retornasse às suas atividades sob acompanhamento ambulatorial e regime de medicação.
Durante sua estadia no hospital, a equipe médica, liderada pelos especialistas Sérgio Timerman e Rinaldo Focaccia Siciliano, confirmou que a paciente deixou o ambiente hospitalar sem dores e em condições adequadas para retomar sua agenda de compromissos. O episódio de saúde ocorre em um momento de transição importante na carreira política de Guajajara, que já havia oficializado anteriormente sua decisão de deixar o comando do Ministério dos Povos Indígenas para dedicar-se integralmente à disputa por sua reeleição como deputada federal pelo estado de São Paulo, processo previsto para ser concluído oficialmente no dia 30 de março.
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Com a saída iminente da ministra, a sucessão na pasta já está delineada, com Eloy Terena, atual secretário-executivo, cotado para assumir a liderança do Ministério dos Povos Indígenas (MPI). Criado em 2023, no início do terceiro governo Lula, o ministério consolidou-se como um pilar fundamental na articulação de políticas públicas voltadas aos direitos de 1,7 milhão de indígenas de 305 etnias. Em balanço recente, a gestão Guajajara destacou a homologação de 20 terras indígenas nos últimos três anos, superando significativamente os índices da década anterior, que registrou apenas 11 oficializações.
Para a ministra, o maior legado de sua administração reside na centralidade que a pauta indígena ganhou no debate público nacional, apesar dos imensos desafios jurídicos, como o impasse em torno da tese do marco temporal entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. O cronograma de retomada das demarcações, iniciado ainda em 2023, abrangeu diversas regiões do Brasil, desde o Acre e Alagoas até o Pará e Mato Grosso, reafirmando o compromisso da pasta com a proteção territorial e a dignidade dos povos isolados. A transição para a campanha eleitoral, portanto, acontece sob um saldo de entregas políticas que, segundo a ministra, visam garantir a continuidade dos direitos constitucionais conquistados.






