O Ministério Público do Trabalho (MPT) protocolou, na última sexta-feira (22), uma ação civil pública de grande relevância contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o governo federal, exigindo o banimento total do glifosato no Brasil. Considerado o agrotóxico mais utilizado no mundo, especialmente em extensas lavouras de soja transgênica, o herbicida está sob intenso escrutínio devido a evidências crescentes que ligam sua utilização a danos severos à saúde humana e ao equilíbrio dos ecossistemas. A iniciativa, que tramita na Justiça do Trabalho do Distrito Federal, busca não apenas o cancelamento de registros de produtos à base dessa substância, mas também a proibição rigorosa de sua produção, comercialização e importação em território nacional.
A base jurídica para essa solicitação fundamenta-se em uma extensa compilação de estudos acadêmicos e pareceres de instituições renomadas, como o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a Fiocruz e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Os dados reunidos pelo grupo de trabalho do MPT indicam uma correlação preocupante entre a exposição continuada ao glifosato e o desenvolvimento de pelo menos 28 enfermidades graves. Entre as patologias citadas, destacam-se diversos tipos de câncer, como o linfoma não-Hodgkin, além de casos crônicos de Alzheimer, infertilidade, autismo, depressão e disfunções renais. O procurador Leomar Daroncho reforça que o risco é particularmente acentuado para trabalhadores rurais e comunidades indígenas, que sofrem com a contaminação direta de mananciais e a exposição prolongada durante o manejo agrícola.
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O impacto da ação ganha força ao observar o cenário internacional, onde a Bayer, detentora da tecnologia desde a aquisição da Monsanto, enfrenta processos bilionários nos Estados Unidos por parte de trabalhadores que alegam ter contraído câncer após contato direto com o produto. Além disso, o MPT critica a postura da Anvisa, acusando a agência de manter um ritmo célere para aprovar novos insumos, enquanto demonstra morosidade excessiva ao reavaliar substâncias que já apresentam evidências de toxicidade. O procurador Daroncho enfatiza que o objetivo central da ação não é prejudicar a produtividade do setor agropecuário, mas sim fomentar a transição para métodos de manejo mais sustentáveis e menos tóxicos, garantindo a preservação da vida daqueles que operam o campo. Até o presente momento, a Anvisa não se manifestou oficialmente sobre o teor da ação, mantendo o impasse regulatório sob atenção de ambientalistas e órgãos de saúde pública em todo o Brasil.






