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Ministério Público de São Paulo ajuíza ação contra fábrica após morte de centenas de cavalos por ração contaminada

Por Redação Arcoverde Agora
Ministério Público de São Paulo ajuíza ação contra fábrica após morte de centenas de cavalos por ração contaminada

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deu um passo decisivo na busca por responsabilização após a trágica morte de centenas de cavalos e o adoecimento de diversos outros animais em diferentes estados do Brasil. Na última sexta-feira (22), a Promotoria de Justiça do Consumidor ajuizou uma ação civil pública contra a empresa Nutratta, fabricante de nutrição animal, e seu proprietário, devido à distribuição de produtos contaminados. As investigações revelam que a fábrica teria utilizado resíduos de soja contendo alcaloides pirrolizidínicos, substâncias altamente tóxicas, na composição de rações destinadas a equinos, bovinos, suínos e aves, ignorando padrões essenciais de segurança alimentar.

O impacto da contaminação é alarmante. Laudos laboratoriais e necropsias detectaram a presença de toxinas em concentrações até 2.600 vezes superiores ao limite considerado seguro para equinos. Até o momento, dados consolidados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apontam 238 mortes confirmadas de equídeos, embora levantamentos independentes realizados em julho de 2025 indiquem que o número total de animais vitimados pode chegar a 645 em pelo menos seis estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Alagoas. Em um caso emblemático em Atalaia (AL), 79 animais perderam a vida após consumirem o produto.

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Diante da gravidade, o MP solicita à Justiça o bloqueio imediato dos bens dos réus, a proibição de novas atividades da fábrica até a total adequação às exigências do Ministério da Agricultura, além de um recall abrangente dos produtos no mercado. A ação busca ainda a indenização de todos os consumidores prejudicados e o pagamento de R$ 10 milhões a título de danos morais coletivos. A preocupação das autoridades estende-se para além do bem-estar animal; especialistas alertam que a contaminação cruzada na linha de produção pode ter colocado em risco a saúde humana, uma vez que resíduos tóxicos poderiam ser transferidos através da carne e do leite destinados ao consumo.

A substância identificada como a principal responsável pelas mortes é a monocrotalina, uma toxina encontrada na planta crotalária. Altamente hepatotóxica e neurotóxica, a substância causa sofrimento intenso, com sintomas que incluem desorientação, alterações comportamentais, perda de controle motor e crises convulsivas. Veterinários enfatizam a inexistência de cura para o quadro de intoxicação por estes alcaloides, sendo o tratamento apenas de suporte. Criadores que possuem animais que tiveram acesso à ração da marca são orientados a realizar exames preventivos de enzimas hepáticas para monitorar a saúde do rebanho, enquanto a Justiça analisa os pedidos de reparação e controle impostos à Nutratta.

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