O Governo Federal, por meio do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, reforçou nesta sexta-feira (19) a manutenção do cronograma para a implementação do imposto seletivo, popularmente conhecido como "imposto do pecado". Em declarações recentes, o representante da pasta afirmou que não existe, até o momento, qualquer intenção de adiar a entrada em vigor da medida, prevista para ocorrer em 2027. O foco central da gestão econômica é assegurar que a transição ocorra de forma equilibrada, mantendo a carga tributária atual dos setores atingidos durante a fase inicial de implementação.
Durigan destacou que a estratégia envolve um diálogo contínuo com as cadeias produtivas impactadas, buscando uma transição que preserve a estabilidade econômica enquanto prepara o terreno para uma regulamentação mais robusta. O governo planeja encaminhar a proposta oficial ao Congresso Nacional ainda neste ano. O objetivo primordial desse imposto não é apenas arrecadatório, mas regulatório: desestimular o consumo de itens que geram externalidades negativas tanto para a saúde pública quanto para a preservação ambiental, compensando, a longo prazo, os custos que o Estado absorve no tratamento de doenças relacionadas.
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A lista de produtos sujeitos à nova taxação é abrangente e inclui bebidas alcoólicas, cigarros e refrigerantes, além de incidir sobre a extração de bens minerais e atividades ligadas a jogos de azar e apostas online. Dados do Ministério da Saúde evidenciam o impacto dessas mercadorias nos cofres públicos. Estima-se que, apenas com o tabagismo, o Brasil suporte um custo anual de cerca de R$ 153,5 bilhões, entre gastos diretos com o Sistema Único de Saúde (SUS) e perdas de produtividade. Enquanto isso, a arrecadação direta com esses produtos permanece desproporcionalmente baixa em comparação ao ônus social.
Por outro lado, representantes do setor produtivo manifestam preocupação. Com cargas tributárias que já atingem patamares elevados — em alguns casos, superando 80% do valor final do produto —, as indústrias alertam para o risco de compressão das margens de lucro, possíveis demissões no setor e o fortalecimento do mercado ilegal. O debate, portanto, promete ser intenso no Congresso Nacional, onde o governo precisará equilibrar a necessidade de ajuste fiscal e saúde pública com a viabilidade econômica das empresas afetadas.






