O cenário de insegurança no Brasil atravessa uma transformação significativa, sendo hoje os crimes digitais a principal fonte de preocupação da população. Segundo o relatório "Medo do crime e eleições 2026", elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha, 83,2% dos brasileiros afirmam temer ser vítimas de fraudes financeiras via internet ou celular. Esse índice supera, ainda que por pequena margem, o medo de sofrer roubos à mão armada (82,3%) e de perder a vida durante um assalto (80,7%).
A pesquisa demonstra que o receio não é infundado, visto que os golpes virtuais figuram como o crime mais frequente vivenciado pelos cidadãos nos últimos 12 meses. Aproximadamente 15,8% da população com 16 anos ou mais — o que representa cerca de 26,3 milhões de pessoas — foram alvos dessas fraudes no último ano. A incidência desses crimes apresenta padrões claros, sendo mais elevada nas classes econômicas A e B (21,8%) e em grandes centros urbanos com mais de 500 mil habitantes, onde a taxa de vitimização atinge 19,2%.
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Um dos pontos mais críticos destacados pelo estudo é a subnotificação. Estima-se que apenas 8,2% dos casos de crimes digitais cheguem efetivamente ao conhecimento das autoridades policiais através do registro de boletins de ocorrência. Essa "cifra oculta" não apenas mascara a realidade da criminalidade no país, mas também contribui para uma percepção disseminada de impunidade e desconfiança nas instituições de segurança pública. O relatório reforça que a digitalização da vida cotidiana expandiu drasticamente a superfície de ataque para criminosos.
A pesquisa, realizada entre 9 e 10 de março de 2026 com 2.004 entrevistas em 137 municípios, serve como um alerta para a necessidade de políticas públicas mais eficazes no combate ao cibercrime. Especialistas recomendam atenção redobrada com links suspeitos, promessas de facilidades financeiras e o uso de sistemas de verificação de duas etapas em aplicativos bancários. A educação digital torna-se, portanto, a principal ferramenta de proteção para o cidadão frente a este novo paradigma da insegurança nacional.






