O cenário tecnológico brasileiro apresenta uma mudança significativa de percepção em relação à inteligência artificial (IA). De acordo com uma nova pesquisa realizada pelo instituto Datafolha, o temor de que as máquinas substituam seres humanos no mercado de trabalho registrou uma queda notável no último ano. Enquanto em 2023 cerca de 56% dos brasileiros que conheciam a tecnologia manifestavam receio de perder suas funções, esse índice recuou para 48% na medição mais recente, realizada em junho deste ano. Em contrapartida, o otimismo e a segurança cresceram: a parcela dos entrevistados que declarou não sentir nenhum medo da tecnologia avançou de 41% para 49%.
Essa transição comportamental reflete um aumento na familiaridade com ferramentas como o ChatGPT e o Claude, que passaram a integrar o cotidiano profissional de uma fatia maior da população. Os dados do levantamento indicam que 24% dos trabalhadores já utilizam recursos de inteligência artificial em suas tarefas diárias, superando os 17% registrados no ano anterior. Essa integração demonstra que o trabalhador brasileiro começa a enxergar a tecnologia não apenas como uma ameaça, mas como um suporte capaz de otimizar processos, seja em pesquisas, estudos ou na criação de conteúdos multimídia.
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Apesar da maior aceitação, a pesquisa também revelou uma cautela importante no que diz respeito à aplicação ética da IA em decisões sensíveis. O levantamento aponta que a sociedade brasileira ainda mantém forte resistência à automação em áreas críticas: 79% dos entrevistados consideram inadequado o uso da inteligência artificial para definir processos de contratação ou demissão de pessoal. Da mesma forma, 68% rejeitam a tecnologia em decisões sobre tratamentos médicos e 67% reprovam o uso da IA na concessão de crédito financeiro.
O estudo do Datafolha, que ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios brasileiros, com margem de erro de dois pontos percentuais, deixa claro que o brasileiro está em processo de adaptação. Enquanto a ferramenta é cada vez mais bem-vinda como assistente produtiva, existe um consenso público de que decisões que impactam a vida, a saúde e o sustento das famílias devem permanecer sob a responsabilidade humana, preservando critérios éticos e o discernimento que as máquinas, por ora, não conseguem replicar integralmente.






