Um episódio de prontidão e solidariedade marcou o cotidiano do Parque da Jaqueira, na Zona Norte do Recife, na última semana. Um homem de 65 anos sobreviveu a uma parada cardíaca fulminante enquanto realizava suas atividades físicas, graças à intervenção imediata da médica anestesista Priscila Carvalho. A profissional, que habitualmente frequenta o espaço em horários distintos, declarou que sua presença no local naquele momento específico foi um verdadeiro destino, permitindo que o atendimento de emergência fosse iniciado antes mesmo da chegada das equipes especializadas.
Ao se deparar com a vítima inconsciente após uma queda, a médica não hesitou e iniciou as manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP). Diante da necessidade de esforço físico contínuo e intenso, Priscila contou com o auxílio de outros frequentadores do parque para revezar as compressões torácicas, garantindo a eficácia do procedimento durante os dez minutos que antecederam a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Segundo a médica, o paciente recuperou os batimentos cardíacos ainda no local, um resultado direto da agilidade no socorro básico prestado.
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O caso, embora tenha terminado com êxito, trouxe à tona uma falha grave na infraestrutura de lazer do Recife: a ausência de desfibriladores externos automáticos (DEA) nos parques. A legislação municipal (Lei nº 17.605/2007) e estadual exige que locais de grande circulação mantenham esses dispositivos à disposição, dado que em casos de infarto, a aplicação do choque elétrico é frequentemente decisiva para reverter arritmias fatais. Especialistas médicos ressaltam que, sem o equipamento, a chance de sobrevivência de pacientes em casos de fibrilação ventricular cai drasticamente, tornando o suporte de terceiros o único recurso disponível.
A gestão dos parques, atualmente sob responsabilidade da concessionária Viva Parques, informou que possui planos de emergência que incluem o uso de desfibriladores. No entanto, a empresa não esclareceu o motivo da indisponibilidade do aparelho no momento do socorro ao idoso. A população e especialistas cobram agora uma fiscalização mais rigorosa por parte do poder público, para garantir que as leis vigentes sejam cumpridas e que espaços de grande fluxo de pessoas estejam devidamente equipados para salvar vidas em situações críticas, evitando que a segurança dos usuários dependa exclusivamente da sorte de ter um profissional de saúde por perto.






