A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, minimizou o aval do governo federal à operação da Petrobras na Margem Equatorial, na Foz do Amazonas, e afirmou que “todos os países estão vivendo as contradições da transição energética”. A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Globo, durante sua passagem por Belém (PA), onde participa das preparações para a COP30.
Segundo Marina, a sociedade, o poder público e o setor empresarial precisam se mobilizar diante das mudanças climáticas. “Precisamos resolver um dos principais problemas que a humanidade já enfrentou: a possibilidade de destruir não apenas a nossa vida, mas as condições em que a vida nos foi dada”, afirmou.
O Ibama concedeu no mês passado licença para a Petrobras perfurar um poço exploratório na bacia da Foz do Amazonas, medida que enfrentou resistência da própria ministra e de setores ambientais. Apesar das críticas, Marina reconheceu que não é possível abandonar combustíveis fósseis por decreto, pois isso causaria “um colapso energético global”.
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Ela defendeu, no entanto, que parte dos lucros do petróleo seja investida em hidrogênio verde e energia eólica e solar, de forma a criar bases reais para a transição. Marina também criticou a celeridade da votação que autorizou a operação, realizada “em apenas seis minutos”, chamando-a de “absurda” e “na contramão dos esforços climáticos”, especialmente às vésperas da COP30.
A ministra ainda citou tragédias recentes, como o tornado no Paraná, para destacar a urgência do debate climático. “É muito difícil ver nossos parlamentares agravando o problema. Isso não é contradição, é regressão”, declarou.
Marina encerrou ressaltando o avanço do Tropical Forests Forever Fund (TFFF), fundo de financiamento climático que, segundo ela, já ultrapassou US$ 6 bilhões. “Estamos trocando a lógica da doação, do pires na mão, pela do investimento”, comemorou.






