Mais dois réus da chamada Chacina de Poção foram condenados pela Justiça de Pernambuco na madrugada do sábado (7), por volta das 2h, em julgamento realizado na 4ª Vara do Tribunal do Júri da Capital.
Bernadete de Lourdes Britto Siqueira Rocha, apontada pelo Ministério Público como mandante do crime, foi condenada a 142 anos, cinco meses e 16 dias de reclusão. Segundo os autos, ela teria articulado o ataque que resultou na morte de uma idosa e três conselheiros tutelares do município de Poção, no Agreste do Estado.
De acordo com o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), José Vicente Pereira Cardoso da Silva, ex-diretor da Penitenciária de Arcoverde e identificado como articulador da ação criminosa, foi condenado a 67 anos, três meses e oito dias de reclusão. Por ter mais de 70 anos, a pena foi reduzida pela metade, conforme prevê a legislação. A defesa informou que já interpôs recurso em plenário.
O julgamento teve início na quarta-feira (4) e se estendeu até a madrugada do sábado. Durante as sessões, o Conselho de Sentença ouviu testemunhas de defesa, o depoimento do delegado Erick Lessa, realizou os interrogatórios dos réus e recebeu as alegações finais do Ministério Público e das defesas.
O crime
A Chacina de Poção é considerada um dos casos mais graves de homicídio múltiplo registrados no interior de Pernambuco. Conforme a denúncia, o crime teria sido planejado para eliminar a família materna de uma criança e garantir a guarda da menor.
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O ataque aconteceu em 6 de fevereiro de 2015, no Sítio Cafundó, zona rural de Poção. Um grupo criminoso interceptou o veículo do Conselho Tutelar em uma emboscada. As vítimas foram os conselheiros tutelares José Daniel Farias Monteiro, Lindenberg Nóbrega de Vasconcelos e Carmem Lúcia da Silva, além da avó materna da criança, Ana Rita Venâncio. A única sobrevivente foi a menina Ana Cláudia, que à época tinha três anos de idade.
Segundo o Ministério Público, Bernadete Siqueira teria contratado um grupo de extermínio para executar o crime. Ao todo, oito pessoas foram denunciadas.
O júri
O Conselho de Sentença foi composto por seis mulheres e um homem. Após a leitura da denúncia, foram colhidos depoimentos e interrogatórios. Na sexta-feira, acusação e defesa apresentaram as alegações finais, seguidas de réplica e tréplica. A decisão dos jurados foi proclamada na madrugada do sábado, quando a juíza Maria Segunda Gomes realizou a dosimetria das penas em plenário.
Outros condenados
Outros réus já haviam sido julgados em processos anteriores. Em dezembro de 2025, Egon Augusto Nunes de Oliveira e Orivaldo Godê de Oliveira foram condenados a 101 anos e quatro meses de prisão cada. Ednaldo Afonso da Silva recebeu pena de 12 anos e seis meses por homicídio simples.
Já em fevereiro de 2024, Wellington Silvestre dos Santos foi condenado a 74 anos e oito meses de reclusão pelos homicídios qualificados das quatro vítimas.
O julgamento de Leandro José da Silva, que ocorreria junto com os demais réus, foi adiado a pedido da defesa e ainda não tem nova data definida.






