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Maior usina nuclear do mundo terá reator reiniciado em janeiro no Japão

Por Redação Arcoverde Agora
Maior usina nuclear do mundo terá reator reiniciado em janeiro no Japão

A maior usina nuclear do mundo, localizada em Kashiwazaki-Kariwa, no Japão, já tem data para retomar parcialmente suas atividades. Segundo o presidente da Tokyo Electric Power Company (TEPCO), Tomiaki Kobayakawa, o primeiro reator será reiniciado em 20 de janeiro. A declaração foi feita à imprensa nesta quarta-feira (24), poucos dias após a aprovação da assembleia municipal de Niigata, região onde a usina está situada.

A decisão representa um marco no retorno do Japão à energia nuclear, já que a unidade integra o grupo de 54 reatores fechados após o terremoto e tsunami de 2011, que provocaram o desastre de Fukushima Daiichi, o pior acidente nuclear desde Chernobyl. A retomada ocorre quase 15 anos após a tragédia.

Aprovação política e protestos

Na segunda-feira (22), a assembleia da província de Niigata aprovou um voto de confiança no governador Hideyo Hanazumi, que havia manifestado apoio à retomada das operações no mês anterior. A votação foi considerada o último obstáculo político para o reinício do reator.

Antes da sessão, cerca de 300 manifestantes protestaram contra a decisão. A maioria, composta por idosos, exibiu cartazes com frases como “Não às armas nucleares”, “Nós nos opomos à retomada das operações em Kashiwazaki-Kariwa” e “Apoiem Fukushima”.

Durante o ato, um manifestante questionou ao microfone: “A TEPCO está qualificada para administrar Kashiwazaki-Kariwa?”, enquanto a multidão respondia em coro: “Não!”.

Resistência da população local

Apesar dos avanços institucionais, a resistência popular permanece significativa. No início do ano, a TEPCO prometeu investir 100 bilhões de ienes (US$ 641 milhões) na província ao longo dos próximos dez anos, tentando conquistar apoio local.

Ainda assim, uma pesquisa divulgada em outubro pela prefeitura revelou que 60% dos moradores não acreditam que as condições para a retomada tenham sido atendidas, e quase 70% demonstram preocupação com a capacidade da TEPCO de operar a usina com segurança.

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Segurança energética e metas climáticas

O governo japonês vê a retomada como estratégica. A primeira-ministra Sanae Takaichi, que assumiu o cargo há dois meses, defende a expansão da energia nuclear para reforçar a segurança energética e reduzir os altos custos dos combustíveis fósseis importados, que hoje representam entre 60% e 70% da geração elétrica do país.

Somente no ano passado, o Japão gastou 10,7 trilhões de ienes (US$ 68 bilhões) com importações de gás natural liquefeito e carvão, cerca de 10% de todos os custos de importação. Apesar da queda populacional, o país projeta aumento na demanda por energia, impulsionado pela expansão de data centers de inteligência artificial, altamente consumidores de eletricidade.

Para atender a esse cenário e cumprir compromissos de descarbonização, o Japão estabeleceu a meta de dobrar a participação da energia nuclear para 20% da matriz elétrica até 2040.

Divisão entre avanço e memória de Fukushima

Segundo Joshua Ngu, vice-presidente da consultoria Wood Mackenzie para a Ásia-Pacífico, a aceitação pública da retomada de Kashiwazaki-Kariwa seria “um marco crucial” para alcançar esses objetivos.

Em julho, a Kansai Electric Power anunciou o início de estudos para um novo reator no oeste do país, o primeiro projeto nuclear novo desde Fukushima.

Para Oga, vítima do desastre de 2011 e participante dos protestos, a retomada desperta temor: “Como vítima do acidente nuclear de Fukushima, desejo que ninguém, seja no Japão ou em qualquer outro lugar do mundo, jamais sofra novamente os danos causados por um acidente nuclear”.

Atualmente, o Japão já reiniciou 14 das 33 usinas que permanecem operacionais, buscando reduzir a dependência de combustíveis fósseis e garantir estabilidade energética no longo prazo.

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