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Lula reage a resistência europeia e ameaça abandonar acordo Mercosul–UE se não houver assinatura

Por Redação Arcoverde Agora
Lula reage a resistência europeia e ameaça abandonar acordo Mercosul–UE se não houver assinatura

A poucos dias da Cúpula do Mercosul, marcada para o próximo dia 20, a possibilidade de assinatura do acordo comercial entre o bloco sul-americano e a União Europeia voltou a enfrentar obstáculos. Os governos da França e da Itália sinalizaram resistência à conclusão do tratado ainda em 2025, o que provocou reação dura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Durante reunião ministerial realizada nesta quarta-feira (17), na Granja do Torto, Lula afirmou que, caso o acordo não seja assinado no encontro de sábado, o Brasil não validará mais o tratado enquanto ele for presidente. O petista destacou que o cronograma da cúpula foi alterado a pedido da própria União Europeia.

“Essa reunião do Mercosul era para ser no dia 2 de dezembro. Eu mudei para o dia 20 porque a União Europeia pediu, dizendo que só conseguiria aprovar o acordo no dia 19. Agora estou sabendo que eles não vão conseguir aprovar”, declarou.

No encontro, Lula também entregará a presidência pro tempore do Mercosul ao presidente do Paraguai, Santiago Peña. O Brasil só voltará a ocupar o posto em 2027.

Pressões internas na Europa

Segundo Lula, a resistência francesa e italiana está ligada a questões políticas internas, sobretudo à pressão de setores agrícolas.


“Faz 26 anos que a gente espera esse acordo. Ele é mais favorável para eles do que para nós. Se não fizermos agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente”, afirmou.

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A expectativa do governo brasileiro era de que o tratado fosse aprovado pelo Conselho Europeu e assinado oficialmente no Brasil. No entanto, líderes europeus já indicaram que isso pode não ocorrer. Caso quatro países da UE, que representem ao menos 35% da população do bloco, se oponham ao acordo, as negociações podem ser inviabilizadas. Além de França e Itália, Polônia e Hungria também demonstram insatisfação.

Protecionismo e salvaguardas

O presidente francês Emmanuel Macron reiterou publicamente sua oposição ao acordo, afirmando que a França reagirá de forma firme se houver tentativa de imposição do tratado. Já a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, disse considerar a assinatura “prematura” e defendeu mais diálogo com os agricultores, embora tenha negado que seu país pretenda bloquear o acordo de forma definitiva.

Nesta semana, o Parlamento Europeu aprovou medidas de salvaguarda para o setor agrícola, permitindo a aplicação de tarifas adicionais caso produtos como carne bovina, aves e açúcar causem desequilíbrios no mercado europeu. As medidas ainda precisam passar pela Comissão Europeia.

Apesar das incertezas, Lula afirmou que seguirá até Foz do Iguaçu esperando uma resposta positiva, mas deixou claro que não aceitará novos adiamentos. “Se disserem não, nós vamos ser duros daqui para frente, porque cedemos a tudo que era possível a diplomacia ceder”, concluiu.

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