Em um pronunciamento contundente realizado nesta quarta-feira, durante a entrega do Prêmio Mulheres das Águas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou a escalada dos preços dos combustíveis no Brasil. O chefe do Executivo Federal defendeu que a alta nos valores praticados nas bombas não reflete apenas a realidade do mercado internacional, mas está atrelada à atuação de agentes econômicos que, segundo ele, buscam obter lucros excessivos em momentos de instabilidade geopolítica. Para o presidente, o país, mesmo sendo autossuficiente na produção de petróleo, acaba sendo penalizado por uma lógica especulativa que se intensifica com os conflitos no Oriente Médio.
Lula destacou que a volatilidade do preço do barril de petróleo, que sofreu variações significativas devido às tensões envolvendo o Estreito de Ormuz e a política de sanções, reflete diretamente na economia brasileira, mesmo que o país esteja geograficamente distante das zonas de conflito. O presidente também teceu duras críticas aos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, argumentando que as potências globais têm priorizado a manutenção de guerras e interesses de mercado em detrimento da paz mundial, o que acaba sobrecarregando a camada mais pobre da população global, que arca com os custos da inflação gerada por essas instabilidades.
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No âmbito doméstico, o governo federal busca estratégias para conter o impacto nos preços finais ao consumidor e aos caminhoneiros. Embora o governo tenha anunciado a desoneração de PIS e Cofins sobre o diesel, a eficácia da medida depende diretamente da colaboração dos governos estaduais no que tange ao ICMS. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reiterou que novas rodadas de diálogo com os governadores serão organizadas para buscar uma convergência que evite novos aumentos. Enquanto isso, a Advocacia-Geral da União (AGU) estuda medidas judiciais contra distribuidoras e postos que praticarem aumentos considerados abusivos e desprovidos de fundamentos de mercado.
O presidente ressaltou, ainda, a necessidade urgente de reformular o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Segundo Lula, a atual configuração do órgão, que reflete uma estrutura de poder consolidada no pós-Segunda Guerra Mundial, é obsoleta e ineficaz para lidar com os dilemas contemporâneos, contribuindo para que os prejuízos de decisões unilaterais das grandes potências sejam transferidos para os países em desenvolvimento. A gestão federal reafirma seu compromisso de monitorar rigorosamente o setor de combustíveis, mantendo o diálogo com a categoria de transportadores para evitar paralisações e garantir o abastecimento nacional, mesmo diante de um cenário externo adverso e marcado por forte pressão inflacionária internacional.






