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Lula brinca com Trump, cita “parentesco com Lampião” e defende multilateralismo

Por Redação Arcoverde Agora
Lula brinca com Trump, cita “parentesco com Lampião” e defende multilateralismo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (9) que, se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conhecesse seu “parentesco com Lampião”, não provocaria o Brasil. A declaração, em tom de brincadeira, foi feita durante uma cerimônia no Instituto Butantan, em São Paulo.

Na sequência, Lula disse não desejar conflito com o norte-americano, argumentando que uma disputa poderia terminar desfavorável aos Estados Unidos. “Eu não quero briga com ele, não sou doido, vai que eu brigo e eu ganho, o que eu vou fazer?”, afirmou.

O presidente também destacou que a posição do Brasil no cenário internacional está baseada na defesa do multilateralismo. “A briga do Brasil é a briga da construção da narrativa, nós queremos mostrar que o mundo não pode prescindir do multilateralismo”, declarou.

Segundo Lula, foi o multilateralismo que garantiu estabilidade global após a Segunda Guerra Mundial. Ele criticou a lógica do unilateralismo, que, segundo afirmou, favorece apenas os países mais fortes. “O unilateralismo imposto pela teoria de que o mais forte pode tudo contra o mais fraco, a nós, não interessa”, disse.

Visita a Washington

Lula confirmou que deve viajar aos Estados Unidos em março, após conversa telefônica com Trump realizada em 26 de janeiro, quando ambos acertaram um encontro em Washington. O presidente brasileiro afirmou que pretende ter uma conversa “olho no olho” com o norte-americano.

A visita ocorre em meio a negociações sobre cooperação em segurança pública, incluindo repressão à lavagem de dinheiro, tráfico de armas, congelamento de ativos de organizações criminosas e intercâmbio de dados financeiros. Segundo o Palácio do Planalto, a proposta foi bem recebida por Trump.

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O governo brasileiro também pretende aproveitar o cenário internacional instável para reiterar o pedido de reforma do Conselho de Segurança da ONU, pauta defendida por Lula desde seu primeiro mandato, em 2002.

Lula ainda não respondeu formalmente ao convite de Trump para integrar o chamado Conselho da Paz, mas sugeriu duas mudanças: que o órgão se restrinja à crise de Gaza e que a Palestina tenha assento. A diplomacia brasileira avalia que o formato atual concentra poder excessivo no presidente dos EUA e pode legitimar uma espécie de “ONU alternativa”.

Cerimônia no Butantan

Durante o evento, Lula anunciou investimentos de R$ 1,4 bilhão para ampliar a estrutura do Instituto Butantan e aumentar a capacidade nacional de produção de vacinas e insumos imunobiológicos. Entre os projetos estão a fabricação do insumo farmacêutico ativo (IFA) para vacinas como DTPa e HPV.

Também foi anunciado o início da vacinação contra a dengue para profissionais da Atenção Primária do SUS, com base em uma vacina 100% nacional desenvolvida pelo Butantan.

O presidente voltou a criticar a condução do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, reforçando a defesa da ciência e das vacinas. Em ano pré-eleitoral, o governo Lula busca associar investimentos em imunização e fortalecimento do SUS a uma agenda de reconstrução das políticas públicas.

Além de Lula, participaram da cerimônia o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que também fez críticas à política antivacina de Donald Trump e afirmou que a resposta do Brasil será ampliar os investimentos em saúde pública.

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