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Justiça nega indenização a jovem que perdeu o braço após ataque de tubarão em Piedade

Por Redação Arcoverde Agora
Justiça nega indenização a jovem que perdeu o braço após ataque de tubarão em Piedade

O drama vivido pela jovem Kaylanne Timóteo Freitas, que teve parte do braço esquerdo amputado após um ataque de tubarão na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, em 2023, ganhou um novo capítulo jurídico. Atualmente com 19 anos, a estudante e paratleta trava uma batalha nos tribunais em busca de uma compensação financeira que inclua pensão vitalícia e recursos para a aquisição de uma prótese funcional. No entanto, uma sentença proferida em janeiro deste ano pela Justiça estadual isentou tanto o Governo de Pernambuco quanto a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes de qualquer responsabilidade sobre o incidente.

A decisão, assinada pela juíza Juliana Rodrigues Barbosa, fundamentou-se na tese de que a culpa seria exclusiva da vítima. Segundo o magistrado, ao entrar no mar em uma região onde o risco de ataques é notório, a jovem teria assumido os riscos, rompendo assim o nexo causal necessário para a responsabilização estatal. A defesa de Kaylanne, representada pelo advogado Marcos Antonio de Andrade Mendes, contesta veementemente a decisão, argumentando que não havia sinalização adequada, como placas ou bandeiras de proibição, no local do ataque, ocorrido em 6 de março de 2023.

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Além da falta de sinalização, a defesa aponta a omissão estatal como ponto central do recurso protocolado em fevereiro. O argumento sustenta que a interrupção do monitoramento de tubarões em Pernambuco por longo período prejudicou a identificação de áreas de risco e a atualização das zonas de proibição. O caso, que aguarda reavaliação pelo desembargador Luiz Carlos de Barros Figueirêdo, envolve pedidos expressivos de reparação: pensão mensal de dois salários mínimos, R$ 396 mil por danos morais, R$ 264 mil por danos estéticos e cerca de R$ 771 mil para o custeio de uma prótese funcional de alta tecnologia.

Para além das dificuldades físicas, Kaylanne tem enfrentado o impacto psicológico decorrente dos comentários hostis que recebeu em redes sociais após o ocorrido. Transformando o trauma em superação, ela hoje se dedica ao esporte paralímpico, conquistando medalhas em arremesso de peso e disco, mas reitera que o apoio financeiro pleiteado na Justiça é essencial para garantir sua autonomia e qualidade de vida. A sociedade pernambucana segue acompanhando o desfecho desta causa, que reacende o debate sobre a segurança nas praias do Grande Recife e o dever de cuidado do poder público com a população banhista.

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