Em uma medida de alto impacto social para o interior de Pernambuco, a Justiça Federal da 5ª Região proferiu decisões determinantes que autorizam municípios do Sertão a firmarem convênios com o Governo Federal para a execução de obras de abastecimento de água. A sentença contempla as cidades de Bodocó, Moreilândia e Parnamirim, locais onde a escassez hídrica é um desafio crônico que afeta diretamente a dignidade e a saúde dos moradores, especialmente na zona rural.
O ponto central das decisões judiciais é o reconhecimento de que o acesso à água potável sobrepõe-se a exigências burocráticas e fiscais que, em outros contextos, impediriam o repasse de verbas. O Judiciário determinou que a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) viabilize a formalização dos convênios, suspendendo restrições contidas no Serviço Auxiliar de Informações para Transferências Voluntárias (CAUC) e a obrigatoriedade imediata de certidões de regularidade previdenciária, permitindo que os projetos de infraestrutura hídrica avancem sem novos entraves.
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A fundamentação jurídica baseia-se no princípio da supremacia do interesse público. Segundo o entendimento dos magistrados, a ausência de um sistema de abastecimento regular coloca as comunidades em uma situação de vulnerabilidade extrema, expondo-as a doenças de veiculação hídrica e exacerbando a desigualdade social na região. Ao flexibilizar as normas do CAUC, a Justiça Federal aplica as exceções previstas na legislação para ações de saúde e assistência social, garantindo que a população mais carente não seja punida por dificuldades financeiras da gestão municipal.
Os projetos beneficiarão centenas de famílias que aguardam há anos por melhorias na infraestrutura local. Em Moreilândia, por exemplo, a estimativa é de que 479 núcleos familiares sejam diretamente contemplados com a expansão da rede de água tratada. A defesa dos municípios, conduzida pela Barros Advogados Associados, destacou que o sucesso desse pleito reflete uma jurisprudência sólida dos tribunais superiores, que priorizam a efetivação de direitos fundamentais em detrimento de formalismos excessivos que travam o desenvolvimento regional. A expectativa é que, com a decisão, os recursos sejam liberados com celeridade para que as obras tenham início imediato, transformando a realidade do campo sertanejo.






