Um episódio de violência doméstica terminou em morte no município de Paudalho, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, resultando na prisão em flagrante de Ana Flávia Manoela de Santana Neto. O crime, ocorrido no último sábado (14), vitimou fatalmente Eronilson Antônio da Silva após uma discussão acalorada entre o casal. A mulher foi detida por policiais militares nas proximidades da delegacia local, momentos após o ocorrido, enquanto transitava na garupa de uma motocicleta.
Em seu depoimento inicial às autoridades policiais, a suspeita alegou ter agido em legítima defesa. Segundo o relato contido nos autos do processo, Ana Flávia afirmou ter sido alvo de agressões físicas por parte de Eronilson, que a teria empurrado violentamente antes de se armar com uma faca tipo peixeira. Em uma tentativa de se proteger, ela teria utilizado uma faca de serra. A mulher também relatou um histórico de abusos, apontando que o relacionamento era permeado por agressões físicas e psicológicas constantes, um fator que deve ser central nas investigações futuras.
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Durante a audiência de custódia, o Poder Judiciário avaliou a regularidade da prisão em flagrante e analisou o pedido da defesa, que reiterou a tese de legítima defesa. A magistrada responsável pelo plantão judicial destacou que, embora a prisão tenha sido efetuada conforme os trâmites legais, ainda é prematuro determinar, nesta fase embrionária do processo, a ocorrência de uma excludente de ilicitude. A juíza enfatizou que o caso exige um aprofundamento investigativo minucioso para que a dinâmica real dos fatos seja estabelecida com clareza.
Apesar da gravidade do delito, a Justiça decidiu pela concessão da liberdade provisória à acusada. A decisão baseou-se no fato de Ana Flávia não possuir antecedentes criminais, manter residência fixa e nos indícios de que o conflito ocorreu em um cenário de violência doméstica preexistente. Como condição para permanecer em liberdade, a investigada deverá cumprir uma série de medidas cautelares, incluindo o comparecimento mensal ao fórum, a proibição de ausentar-se de Paudalho por mais de oito dias sem autorização judicial e a restrição de frequentar locais que comercializem bebidas alcoólicas, como bares. O caso segue agora sob o rito do inquérito policial para elucidação definitiva.






